BRF deixará de usar ovos de galinhas confinadas em gaiolas até 2025

20 de julho de 2017

Parceria com a Proteção Animal Mundial incentivou a empresa a estender suas práticas de bem-estar animal

No final de junho, a BRF, uma das maiores companhias de alimentos do mundo – dona das marcas Sadia e Perdigão, anunciou que deixará de utilizar, até 2025, ovos de galinhas confinadas em gaiolas em seus processos de produção.

Com essa decisão, a empresa se junta a um grupo cada vez maior de grandes empresas de alimentos que assumiram o compromisso de usar somente ovos de galinhas “livres de gaiola”, ou cage-free, em inglês.

“Estamos confiantes de que esse é mais um passo da BRF para que a milhares de animais tenham vidas melhores. O comprometimento em utilizar somente ovos de galinhas livres de gaiolas é um importante avanço em prol do bem-estar dos animais”, afirma José Rodolfo Ciocca, Gerente de Agropecuária Sustentável da Proteção Animal Mundial.

O anúncio da BRF acompanha uma tendência mundial de eliminar progressivamente práticas inadequadas na criação industrial de animais. Trata-se de uma resposta à crescente exigência dos consumidores e de diversas organizações de proteção animal por mais transparência e ética no tratamento dos animais.

Há dois anos, o Mc Donald’s deu o primeiro grande passo em favor do bem-estar animal ao proibir gaiolas em suas cadeias de fornecimento de ovos no Brasil. Logo atrás, outras gigantes do ramo alimentício, como a International Meal Company (Viena, Frango Assado, Go Fresh e Brunella), Burger King, Subway e Unilever, fizeram o mesmo.

As mudanças serão gradativas – em alguns casos, só terminarão em oito anos -, mas impactarão o bem-estar milhões de galinhas poedeiras criadas no Brasil.

O custo da alta produtividade

Desde a metade do século XX, quando os fazendeiros começaram a confinar as aves em gaiolas de bateria, esse sistema se tornou cada vez mais eficiente, barateando o preço final  e evitando contaminação dos ovos. Mas essa alta produtividade veio com um alto custo: uma vida inteira de sofrimento para as milhões de galinhas.

Espremidas em gaiolas pequenas e superlotadas, as galinhas poedeiras não conseguem sequer esticar completamente suas asas. Elas também são impedidas de expressar seus comportamentos naturais, como construir ninhos, explorar o ambiente e se empoleirar. Além disso, o confinamento extremo causa problemas locomotores e distúrbios metabólicos nesses animais, como a osteoporose e problemas hepáticos.

Nessas condições, as aves também sofrem de estresse psicológico e demonstram sinais frustração e angústia.

“A criação de galinhas poedeiras em gaiolas é um dos grandes problemas de bem-estar observados na atualidade. Infelizmente, milhares de galinhas no Brasil vive em um espaço do menor que uma folha de papel A4”, explica Ciocca.

No Brasil, já existem sistemas de ovos de galinhas livres de gaiolas, como é o caso dos sistemas caipira e orgânico, mas eles representam cerca de 5% da produção nacional.

Evolução e diálogo constantes

Banido na União Europeia desde 2012, o sistema de criação em gaiolas de bateria também começa a entrar em desuso no Brasil. Desde 2015, o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA) trabalha para incentivar o fim dessa prática também por aqui, desenvolvendo alternativas de alojamento e manejo dessas aves.

Esse incentivo vem acompanhado de iniciativas da indústria para melhorar seus padrões de bem-estar animal, eliminando o sistema de gaiolas de sua cadeia produtiva, como é o caso da BRF. “Esse é mais um passo que damos como demonstração de nosso esforço contínuo em obter avanços no compromisso assumido publicamente pela BRF com o bem-estar dos animais”, afirmou, em nota, a Gerente de Sustentabilidade da BRF, Sula Alves.

A Proteção Animal Mundial trabalha em parceria com a BRF desde 2014, fornecendo conhecimento técnico em bem-estar animal para melhorias em suas produções de frangos de corte, perus e suínos.

“A parceria da BRF com a Proteção Animal Mundial envolve a construção de um plano de trabalho abrangente, baseado na transmissão de conhecimento e troca de experiências com o objetivo de avançar nas práticas de bem-estar animal”, explicou Sula.

Entre os resultados positivos desse trabalho, está a eliminação da gestação em gaiolas para porcas em toda a cadeia até 2025 – uma prática proibida na União Europeia desde 2013.

A Proteção Animal Mundial trabalha junto à indústria agropecuária para que sejam adotados métodos de criação sem o confinamento restritivo, evitando o sofrimento desnecessário dos animais e dando a eles condições de manifestar seus comportamentos naturais.

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