Colômbia afirma ter fechado fronteira para piracatinga: faltam as provas

06 de outubro de 2015

Autoridade de pesca na Colômbia negou que o peixe contribui para morte de botos na Amazônia. Estudos apontam o contrário.

Uma comunicação recente da AUNAP (Autoridade Nacional de Aquicultura e Pesca da Colômbia) faz menção ao fechamento para importações de piracatinga, mas o mesmo comunicado, publicado em seu website em 26 de agosto de 2015, afirma que não há fundamento algum nas notícias de que a piracatinga seja responsável pela caça cruel e ilegal do boto cor-de-rosa no Brasil.

Apesar de não acreditar que este golfinho de água doce seja utilizado como isca para a pesca de piracatinga, a AUNAP, paradoxalmente, diz que encerrou as importações deste peixe vindas do Brasil. Esta medida nunca foi divulgada nos canais oficiais do governo colombiano, seja por decreto ou por regulamento.

Acreditamos que essa comunicação da AUNAP gere uma confusão, uma vez que contradiz estudos de várias instituições de pesquisa (veja abaixo) no Brasil e na Colômbia. Além disso, pedimos transparência à AUNAP, colocando à disposição do público o texto completo da medida que determina o fechamento das importações de piracatinga brasileiro.

Se o governo colombiano está tomando medidas para frear essa atividade, estas devem ser comunicadas oficialmente aos cidadãos, a fim de evitar que um peixe que tem sua venda proibida por moratória no Brasil tenha entrada livre na Colômbia e continue sendo comercializado.

Para confirmar a transparência com o povo e acabar com a matança ilegal de botos em águas brasileiras, a World Animal Protection pede à AUNAP a garantia de que os mercados colombianos não vendam piracatinga proveniente do Brasil.

Isso implica em colocar em prática um controle efetivo das fronteiras, para evitar a potencial entrada desse peixe de maneira ilegal, vindo do Brasil.

Piracatinga e a morte de botos

Para acabar com as dúvidas da AUNAP, colocamos à disposição as seguintes pesquisas (em inglês) que demonstram essa triste e cruel realidade. Assim, convidamos a todos que se unam à proteção do boto cor-de-rosa, inteligente e belo cetáceo latinoamericano.

Confira os estudos abaixo, na íntegra:

1) Conflitos entre a atividade pesqueira e a morte intencional de golfinhos de água doce na Amazônia Ocidental brasileira

2) Ações do governo brasileiro para combater o uso de boto cor-de-rosa como isca para bagres (piracatinga) na Bacia Amazônica

3) Casos de mortalidade de golfinhos de água doce atribuídos à pesca artesanal na Amazônia Ocidental brasileira

4) Uso de golfinhos e jacarés como isca para Calophysus macropterus na Amazônia

5) Insights sobre o uso de golfinhos (boto, Inia geoffrensis e tucuxi, Sotalia fluviatilis) como isca para pesca de piracatinga (Calophysus macropterus) na Amazônia Ocidental brasileira

6) Atitudes e comportamentos ligados ao boto da Amazônia (Inia geoffrensis) em uma área de proteção ambiental e uso sustentável

7) Bioacumulação de mercúrio em peixes de relevância comercial, de diferentes categorias tróficas, da Bacia Amazônica

8) A pesca de piracatinga (Calophysus macropterus), evidências moleculares de comercialização na Colômbia e análises toxicológicas

9) A situação da pesca de piracatinga na América do Sul com uso de botos da Amazônia como isca

O fim das importações não foi divulgado nos canais oficiais do governo da Colômbia

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