Comunidade amazônica educa 350 crianças para evitar exploração de animais no turismo

21 de janeiro de 2019

Encerramento de projeto realizado nas escolas mostrou que já podemos contar com a força única e transformadora da comunidade para combater o turismo das selfies cruéis

Localizada na rota do turismo “fast-food” com animais silvestres, perto de Manaus, a comunidade ribeirinha Vila São Pedro é a primeira da região a desenvolver um projeto de educação para crianças e adolescentes sobre turismo responsável.

O encerramento do projeto, promovido durante 4 anos na escola local, aconteceu em 15 de dezembro.

A nossa equipe celebrou o engajamento pioneiro da Vila São Pedro numa grande festa junto aos moradores – os primeiros “líderes de fauna” da Amazônia. A iniciativa educacional surgiu numa parceria entre a Proteção Animal Mundial e os professores locais, pais e líderes comunitários para combater a exploração e captura de animais silvestres para selfies com turistas.

“Vi muitos comunitários mudarem seus hábitos por conta desse trabalho e, a partir de agora, podemos entender a situação com mais profundidade e trabalhar para mudá-la, especialmente a partir da formação das nossas crianças”, observa Ariana Coelho, líder comunitária e estudante de pedagogia. 

As aulas ajudaram a promover o conceito de bem-estar animal e alternativas éticas, como o turismo de observação de animais na natureza.

“Com o apoio da Proteção Animal Mundial, pudemos fazer diversas atividades com as nossas crianças, passar instruções técnicas que não tínhamos acesso e eu tenho certeza que era isso que faltava”, complementa Ariana.

Durante o evento de encerramento, os comunitários assumiram o microfone para discursar sobre a importância do turismo sustentável e sobre como é urgente proteger os animais da região, mantendo-os livres na natureza para que expressem seu comportamento natural.

“É emocionante olhar para os resultados desse projeto comunitário, que desenvolvemos com tanto carinho e com a participação ativa dos membros da comunidade. Isso prova o quanto nosso trabalho é importante e pode, de fato, mudar o mundo para o bem dos animais, das pessoas e do meio ambiente como um todo”, comemora João Almeida, nosso gerente de vida silvestre.

Um dia de agradecimento e troca mútua

A temática do bem-estar animal e da preservação do meio ambiente permeou toda festa de encerramento.

Com a colaboração de uma equipe incrível de voluntários, organizamos diversas atividades para a criançada – como oficina de pintura e produção de máscaras de animais, oficina de produção de camisetas, corrida de bicicletas, gincanas e produção de hortas com materiais recicláveis. E para fechar com chave de ouro, teve até a visita do Papai Noel!

Na confraternização final, também presenteamos os pais e comunitários com um calendário de 2019 personalizado com datas e fotos da comunidade – obtidas durante os anos do projeto – e fizemos uma sessão pipoca para apresentação do vídeo produzido com a comunidade ao longo do nosso trabalho juntos.

Assista abaixo:

Doação colaborativa de materiais escolares

Trabalhar com as crianças e pré-adolescentes de Vila São Pedro prova que a educação é o caminho para transformações profundas e necessárias em diversas esferas. Por isso, iniciamos um movimento pela doação de materiais escolares para a escola da comunidade.

Além dos materiais desses 4 anos de projeto educacional, que ficaram em Vila São Pedro, organizamos pedidos de doações em vários canais, enviando solicitações em grupos de Whatsapp e colocando um ponto de doação na feira da Fundação Amazonas Sustentável (FAS) – que aconteceu no dia seguinte da confraternização, em 16 de dezembro.

Os materiais serão entregues ainda na comunidade agora em janeiro e esperamos que isso inspire as crianças a estudarem com empenho, carinho e dedicação.

A relação da comunidade com o turismo em Manaus

A comunidade ribeirinha Vila São Pedro fica às margens do lago Janauari, na rota de um dos principais pacotes turísticos oferecidos na região de Manaus: o Day Tour Fluvial, em que turistas geralmente têm a oportunidade de tocar, alimentar e tirar fotos com diversas espécies da fauna amazônica.

Veja mais detalhes no nosso relatório “Um Foco na Crueldade”.

A situação de extrema vulnerabilidade social enfrentada pelos ribeirinhos faz com que usar os animais silvestres como atração turística seja uma forma de subsistência muito praticada na região – o que, na verdade, só beneficia as operadoras turísticas e os viajantes que querem curtidas nas redes sociais.

Além de causar enorme sofrimento animal e impactar o meio ambiente de maneira irreversível, a atividade expõe pessoas e animais a sérios riscos (desde acidentes até a transmissão de doenças). E pode estar ligada a condições de trabalho exploratórias e precárias, inclusive trabalho infantil.

Seja parte da mudança

Interagir com animais silvestres em atrações turísticas pode parecer inofensivo, mas não é. Se você puder montar, tocar, abraçar, alimentar ou tirar selfies com algum animal silvestre, é muito provável que ele esteja enfrentando uma vida cruel de intenso sofrimento.

Muitos turistas fazem esse tipo de atividade porque amam os animais, mas se conhecessem a realidade sombria por trás delas, jamais aceitariam financiar essa indústria. 

Descubra aqui como você pode ser um turista amigo dos animais e evitar atrações cruéis com a vida silvestre ao redor do mundo inteiro.

"É emocionante olhar para os resultados desse projeto comunitário, que desenvolvemos com tanto carinho e com a participação ativa dos membros da comunidade"

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