Conheça Laminha, a cachorrinha resgatada em Brumadinho

30 de janeiro de 2019

Assustada e sozinha, a vira-latinha estava escondida embaixo de um caminhão em uma área completamente devastada

O segundo dia da nossa equipe de resposta a desastres em campo, em Brumadinho, foi marcado por grandes desafios. Recebemos a informação de que haviam 6 cães e outros animais abandonados em uma propriedade muito próxima do local onde a barragem desmoronou, em Córrego do Feijão.

Nos unimos à resgatista voluntária Camila Flores e ao comboio acionado para a operação, que contava com a Polícia Civil de Minas Gerais, o Ibama e bombeiros. Oferecemos nosso suporte técnico e transporte para os animais resgatados até o local onde eles seriam registrados e abrigados.

Com estradas bloqueadas, tivemos que dar a volta na cidade e enfrentar mais de 2 horas de muita poeira até chegar até Córrego do Feijão. No caminho, passamos por dentro da propriedade da mineradora Vale, por cima da barragem que rompeu.

Vista de cima da barragem que rompeu em Brumadinho (MG)

Ver o rastro de destruição deixado pela lama tóxica foi devastador para nós.

Aves escapam da lama por pouco

Ao chegar na propriedade evacuada, não era certo quantos animais íamos encontrar. Lá dentro, mais um susto: a lama tóxica passou a poucos metros do viveiro onde estavam dezenas de aves, incluindo pavões e galinhas. Elas escaparam por muito pouco!

Contamos mais de 25 aves, dentro e fora do viveiro. 

Os animais foram registrados para que as autoridades e voluntários possam levar alimento nos próximos dias – até que seja possível transportar todas em segurança para um abrigo.

Aves que estavam presas em viveiro (ao fundo) escaparam por pouco da lama tóxica

Pavões, galinhas, faisões e d'angolas foram abandonadas durante a evacuação

Até então, todavia, não havíamos avistado nenhum cão no local. Nosso maior medo era que eles estivessem na lama.

Resgate da cachorrinha

Começamos a busca nas proximidades da propriedade, na esperança de que eles tivessem encontrado abrigo e escapado da devastação.

Foi quando avistamos uma vira-lata coberta de lama, deitada ao lado do portão da mineradora Vale. Assustada, ela se escondeu sob dois caminhões que foram arrastados pelos rejeitos. Foi preciso muita paciência para conquistar sua confiança e atrair ela para fora.

Nossa equipe ajuda nas buscas junto à resgatista Camila Flores, a Polícia Civil, Ibama e bombeiros 

Cachorrinha se escondeu embaixo de dois caminhões arrasatados pela lama

A resgatista voluntária Camila Flores conseguiu resgatar a cachorra em segurança

A cachorrinha foi finalmente resgatada pela voluntária Camila Flores, que a batizou de Laminha.

"Os animais estão entre os mais vulneráveis ​​em desastres. Eles não podem falar, nem pedir ajuda", se emociona nossa nossa gerente de programas veterinários, Rosangela Ribeiro. "Quando Laminha finalmente foi resgatada, pude ver o alívio nos olhos da Camila!".

Duas horas de viagem no nosso colo

A equipe da Proteção Animal Mundial transportou a Laminha até o ponto de registro, onde ela recebeu alimentação e os primeiros cuidados. Depois, foram mais duas horas até o abrigo e hospital de campanha do Conselho Regional de Medicina Veterinária.

Durante as duas horas de viagem, a Laminha revezou entre os colos da nossa equipe e da sua resgatista, Camila Flores. Logo notamos que era uma cachorrinha dócil e muito carinhosa. Ela até dormiu um pouquinho! 

Laminha no colo da veterinária Rosangela Ribeiro, da Proteção Animal Mundial

Laminha se alimenta e água após longas horas de resgate e transporte  

“Já era noite quando chegamos ao abrigo onde a Laminha vai viver pelas as próximas semanas. Ela vai receber todos os cuidados necessários até localizarmos seu tutor ou, eventualmente, encontrarmos um novo lar amoroso para ela", explica Rosangela.

O resgate da Laminha nos encheu de esperança. As buscas pelos outros cães devem continuar ao longo desta semana.

Acompanhe nossa equipe

Nossa equipe vai continuar em Brumadinho para avaliar a situação dos animais e apoiar as operações do Conselho Regional de Medicina Veterinária.

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"Os animais estão entre os mais vulneráveis ​​em desastres. Eles não podem falar, nem pedir ajuda."
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