Estamos socorrendo quase 80.000 animais durante seca extrema no Quênia

05 de maio de 2017

País enfrenta uma das secas mais extremas da história, que ameaça desde animais silvestres a bois, cabras e ovelhas

Estamos fornecendo feno suficiente para alimentar 79.000 animais, além de atendimento veterinário e suplementos minerais para mais 8.000 animais.

A equipe da Proteção Animal Mundial está na região de Kajiado – uma das 11 mais impactadas pela seca do país. 

O Quênia registrou menos de um quarto da quantidade de chuva considerada “normal” para o período entre outubro e dezembro. A falta de chuvas culminou em uma seca devastadora, que acabou com as plantações e o pasto da região. E sem comida ou água, os rebanhos estão morrendo em massa.

Em fevereiro, a seca foi declarada como um desastre nacional.

A região de Kajiado abriga cerca de 700.000 pessoas, sendo a maioria delas da etnia Massai – cuja principal fonte de subsistência são seus rebanhos. Os animais são parte essencial da sua cultura.

Um ditado popular diz que: “um Massai vale tanto quanto seus bois”.

Para ajudá-los, o governo está organizando a distribuição de água. Enquanto isso, a Proteção Animal Mundial está trabalhando com parceiros locais para socorrer os animais das comunidades mais vulneráveis de Kajiado.

Entre elas, está Mbarakini.

Nessa comunidade já quase não há grama, exceto por alguns trechinhos espalhados – devido a um chuvisco recente. Infelizmente, isso não é suficiente para alimentar os rebanhos da região. Estima-se que, até a próxima semana, esse pouco de grama provavelmente já terá sumido e a comunidade estará novamente cercada só por terra.

As duas ovelhas de Garacie

Ali, em Mbarakini, a nossa equipe conheceu uma fazendeira de 58 anos, Garacie, que tem duas ovelhas. Enquanto esperava na fila para receber o feno – distribuído pela Proteção Animal Mundial –, ela dividiu sua preocupação conosco:

“A vida ficou difícil desde que a seca começou, em outubro do ano passado. Nós achamos que a situação ia melhorar em dezembro, mas não choveu. Todo o nosso pasto acabou e, a essa altura, eu não tenho outra opção. Estou arrancando folhas de árvores para alimentar as minhas ovelhas. É uma tarefa difícil, mas perder os meus animais seria ainda pior”.

As duas ovelhas agora dependem inteiramente de Garacie, já que o seu marido deixou a fazenda para encontrar algum pasto para a vaca deles. Muitos pastores levaram os seus rebanhos para o Parque Nacional de Chyulu Hills, que fica a 8 quilômetros de Mbarakini e é um dos últimos locais com grama. O que restou ali, todavia, irá durar até fim de maio.

Depois disso, os rebanhos serão forçados a procurar pastagens mais distantes ainda – uma tarefa arriscada. E se essas condições continuarem, milhares de animais serão ameaçados.

Leões, leopardos e hienas famintos

A seca não afeta apenas os animais de fazenda. Leões, leopardos e hienas já começaram a se afastar das áreas protegidas (parques nacionais) em busca de água e comida.

Agora, predadores silvestres estão rondando comunidades como Mbarakini. A pastora Maria Sepe, de 65 anos, tem 10 filhos e 5 netos. Assim como ela, 7 dos seus filhos também se vivem do pastoreio. Ela conta que, recentemente, um bando de leoas cercou sua propriedade durante a noite e atacou o pequeno rebanho da família.

“Essa é a pior seca que vi ao longo da minha vida”, relembra Maria.

“Quando os leões começam a caçar os nossos animais, sabemos que a situação só vai piorar para todos nós. Sempre coexistimos bem com os animais silvestres, mas agora eles também não têm nada para comer ou beber”, observa ela.

A matriarca diz que tentou impedir o ataque, mas já era tarde: as leoas mataram uma de suas vacas e várias cabras. O rebanho foi reduzido a três vacas, quatro cabras e uma ovelha. Ao tentar defender os animais, as pessoas acabam colocando as suas próprias vidas em risco – e também a dos animais silvestres.

Ainda que esses predadores representem uma ameaça às comunidades e aos animais domésticos, isso não se compara à ameaça que a seca representará para todos eles se continuar.

“Eu sou tão agradecida à Proteção Animal Mundial pelo feno e minerais que vocês deram para os meus animais. Com isso, consigo garantir que meus animais terão o que comer pelo próximo mês”.

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Kajiado é uma das 11 regiões mais impactadas pela seca no Quênia
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