Estamos trabalhando para fazer o turismo respeitar os elefantes na Tailândia

17 de janeiro de 2018

Desenvolvemos um novo modelo de negócio para as atrações turísticas tailandesas, de forma que não causem mais sofrimento aos animais

Recentemente, reunimos as principais agências de turismo e os chamados “campos de elefantes” da Tailândia para discutirmos a nova de demanda de turistas que já não querem fazer parte de atividades que exploram e causam sofrimento aos animais.Entre elas, estão os espetáculos e passeios com elefantes promovidos por grande parte das agências locais.

Na conferência de Bangkok, nosso grupo de trabalho demonstrou como turistas estão cada vez mais preocupados em visitar atrações que tratem os elefantes de forma ética.

Uma pesquisa realizada pela Proteção Animal Mundial em 2014 apontou que 53% das pessoas acham inaceitável andar de elefante. No ano passado, esse número já subiu para 62%.

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A tendência do turismo ético também foi comprovada pelo apoio de 190 agências de viagens globais, que já se comprometeram a não promover espetáculos e passeios com elefantes.

Muitas das agências que se juntaram a nós em Bangkok, declararam que parte de seus clientes já não querem mais comprar ingressos para esse tipo de entretenimento. E é verdade: nossas pesquisas recentes mostram que os turistas preferem contemplar os elefantes em seu habitat natural.

Por isso, junto com empresas como a Fundação TUI Care, Intrepid, EXO Travel, DER Touristik e The Travel Corporation, criamos um novo modelo de negócios para atrações com os elefantes tailandeses.

Um aplicativo online para ajudar elefantes

Parte fundamental desse projeto é incentivar atrações seguras em que os proprietários reconheçam que tratar os elefantes com gentileza, atendendo suas necessidades de bem-estar e respeitando sua própria natureza é bom para os negócios.

Queremos que as atrações tailandesas façam uma transição para um novo modelo em que os turistas vejam os elefantes apenas sendo elefantes, sem serem obrigados a realizar espetáculos, truques ou levando turistas para passear em suas costas. O objetivo é garantir que esses inteligentes animais vivam em seu próprio habitat e expressem seu comportamento natural.

O novo modelo proposto precisa ser flexível o suficiente para atender a uma variedade enorme de campos de elefantes com diferentes características. Pensando nisso, criamos uma ferramenta digital de planejamento de negócios que pode ser adaptada para levar em consideração as peculiaridades específicas de cada empresa.

Os campos de elefantes podem usar o aplicativo online para ajudá-los a atender à crescente demanda por atrações mais éticas.

Depois de alimentar o sistema com uma série de dados, as empresas podem acessar uma projeção orçamentária bruta de 5 anos, que inclui: quanto investimento precisará ser feito, quanto custará uma operação amigável aos elefantes e quando ela começará a ser lucrativa para eles.

Juntos pelo fim da exploração de elefantes

A indústria de turismo na Tailândia apresenta rápida expansão e ainda envolve cerca de 2.198 elefantes, muitos mantidos em situações precárias e usados de maneira cruel. Nos últimos cinco anos, temos feito campanha pela proteção desses animais e já observamos grandes avanços.

Um dos principais sucessos foi o anúncio do Trip Advisor no ano passado. Após 558.000 assinaturas em nossa petição, o maior site de viagens do mundo parou de vender ingressos para atrações turísticas cruéis com a vida silvestre.

Com turistas cada vez mais exigentes com atividades que respeitem a natureza e sejam favoráveis aos elefantes, temos certeza de que os proprietários das agências, mais cedo ou mais tarde, não terão outra opção senão adotar as atividades de conduta ética aceitável.

62% das pessoas acham inaceitável andar de elefante, mostra pesquisa da Proteção Animal Mundial

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