Gomes da Costa e Coqueiro não combatem a pesca fantasma

22 de março de 2019

Nosso estudo apontou que as empresas de pescado não têm projetos para evitar o problema que afeta milhares de animais marinhos

A segunda edição do nosso relatório Fantasmas sob as Ondas apontou que a Camil e o Grupo Calvo, as duas maiores empresas de pescado em operação no Brasil, não têm políticas claras e projetos sólidos para o combater a pesca fantasma. A brasileira Camil é a detentora das marcas Coqueiro e Pescador e o espanhol Grupo Calvo, da marca Gomes da Costa.

Leia aqui o sumário executivo

O relatório classificou 25 empresas de pescado entre os níveis 1 (melhor) e 5 (pior) de acordo com sua capacidade de resolver o problema da pesca fantasma. Assim como no estudo de 2018, nenhuma empresa alcançou o nível 1, mas, pela primeira vez, três das principais companhias do setor (Thai Union, TriMarine e Bolton Group) subiram ao nível 2.

No Brasil, o Grupo Calvo recebeu a classificação nível 4 porque, apesar de tratar do tema, as evidências de implementação de solução são limitadas. Já a Camil ficou no nível 5 por não prever nenhuma solução para o problema.

“De modo geral, a indústria pesqueira se esforçou para implementar ações que reduzem o número de equipamentos de pesca perdidos ou abandonados nos oceanos. Porém, o trabalho realizado no Brasil ainda está em um estágio muito inicial ou não existe”, afirma João Almeida, gerente de vida silvestre da Proteção Animal Mundial.

Apesar do progresso, o relatório mostrou que ainda há muito trabalho a ser feito para combater o problema da pesca fantasma – que mata, prende e mutila milhares de animais marinhos todos os anos. Das 25 empresas avaliadas, apenas 9 reconhecem que os petrechos de pesca abandonados no mar são um problema para os animais e os oceanos.

Fantasmas na costa brasileira

Em nosso relatório Maré Fantasma, que aborda a questão da pesca fantasma no Brasil, evidenciamos a presença de petrechos fantasmas em 70% do território nacional - em 12 dos 17 estados, incluindo áreas de proteção ambiental como unidades de conservação.

Anualmente, mais de 6 mil toneladas de redes de pesca são produzidas no Brasil ou importadas no país. Deste total, estimamos que pelo menos meia tonelada podem ser abandonados ou perdidos nos mares brasileiros todos os dias. Isso significa que, diariamente, 69 mil animais marinhos podem ser mortos ou machucados por petrechos de pesca fantasma.

Veja aqui o relatório com dados do Brasil

Baleia presa em rede de pesca fantasma.

O impacto da pesca fantasma na vida de milhares de animais marinhos

  • 640 mil toneladas de materiais de pesca são descartadas nos mares todos os anos, o equivalente a 90 mil ônibus de dois andares
  • 136 mil focas, tartarugas, leões marinhos e baleias de grande porte são mortos anualmente
  • Até 30% do declínio em alguns estoques de peixes pode ser atribuído a petrechos fantasma
  • Petrechos de pesca fantasma são quatro vezes mais propensos a prender e matar animais marinhos do que todas as outras formas de detritos marinhos juntos
  • Equipamentos de pesca perdidos ou abandonados nos oceanos são responsáveis por mais de 70% dos macroplásticos, que podem levar até 600 anos para deteriorar

É hora de uma mudança radical

Somos todos responsáveis pela saúde dos nossos oceanos e pelo bem-estar da vida marinha.

Clique aqui e mais sobre a nossa campanha contra a Pesca Fantasma.

 

Imagem do topo: Pascal Kobeh / Nature Picture Library

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