Medida tenta barrar caça ilegal de botos

31 de julho de 2014

A luta contra a matança de botos rosa da Amazônia ganhou um importante reforço: uma moratória para a pesca e comercialização da piracatinga em todo o território brasileiro.

Após anos de pressão de organizações da sociedade civil, como a World Animal Protection, e do Ministério Público Federal, uma medida do governo ataca o principal vetor dessa caça ilegal e cruel: o comércio do peixe piracatinga. 

No dia 18 de junho, em ato conjunto do Ministério da Pesca e Aquicultura e do Ministério de Meio Ambiente, foi publicado no Diário Oficial uma instrução normativa que estabelece uma moratória para a pesca e comercialização da piracatinga em todo o território brasileiro. 

Espécie de bagre carniceiro, que se alimenta de resto de animais mortos, a piracatinga é normalmente atraída e capturada usando a carne dos botos como isca. De acordo com especialistas, o aumento do comércio de piracatinga no Brasil e em outros países da América do Sul, principalmente a Colômbia, foi responsável pela redução de 10% anuais das populações de botos nos últimos dez anos. 

A moratória entra em vigor em 1º de janeiro de 2015 e tem uma validade de cinco anos, período em que o governo brasileiro se compromete a estudar alternativas à pesca desse peixe sem a utilização do boto como isca. 

“Se por um lado este é um primeiro passo para a proteção do boto rosa, é difícil acreditar que esta medida, sozinha, resolverá um problema complexo, e que atravessa fronteiras”, avalia Roberto Vieto, coordenador do programa de Vida Silvestre da World Animal Protection. “Para proteger o boto, agora precisamos que outros países, como a Colômbia, tomem uma atitude para frear a importação da piracatinga”, explica.

Atualmente, o principal importador de piracatinga é a Colômbia, onde este peixe é vendido enganosamente como capaz ou capacete, espécies bastante apreciadas pelos colombianos. 

No Brasil, os cetáceos estão protegidos por lei federal desde 1987. A lei entretanto, não evitou até hoje a caça dos botos, o que mostra a necessidade de adotar diversas medidas para acabar com esse crime e proteger esse animal. 

Nosso trabalho 

Atuando em um grupo de trabalho formado por outras organizações da sociedade civil e instituições científicas, a World Animal Protection acompanhou o processo de implementação da moratória à pesca da piracatinga, ajudando na elaboração das recomendações técnicas utilizadas em sua publicação. 

Neste trabalho, o apoio do Ministério Público Federal foi muito importante. O procurador da República Rafael da Silva Rocha foi uma das primeiras pessoas a recomendar a moratória que hoje significa uma esperança aos botos da bacia amazônica. 

Assine a petição

Ajude a proteger os botos da Amazônia. Assine nossa petição e peça para o governo colombiano acabar com o comércio de piracatinga.

“Para proteger o boto, agora precisamos que outros países, como a Colômbia, tomem uma atitude para frear a importação da piracatinga”

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