Morte de animais em Hortolândia reacende discussão sobre rodeios

21/05/2014

Os rodeios afetam intrinsecamente o bem-estar dos animais envolvidos, independentemente da espécie, da prática ou da prova a que são submetidos.

"Será que em pleno século XXI ainda necessitamos de um entretenimento cruel e perigoso como esse?"

O ambiente impacta os animais até mesmo quando não estão na arena. O som extremamente alto, o espetáculo pirotécnico, o barulho vindo da arquibancada, os holofotes, os fogos de artifício, a grande movimentação humana e os odores e ruídos dos diversos animais que ali estão podem provocar um altíssimo nível de estresse em cavalos, touros, bezerros, garrotes e ovinos. Esses são animais sensíveis. E esse estresse pode provocar reações contrárias ao comportamento habitual de cada espécie. 

Um exemplo lamentável ocorreu no interior de São Paulo, no último domingo (18), quando alguns cavalos que participariam da Festa de Peão de Hortolândia fugiram do confinamento durante uma queima de fogos do próprio evento e acabaram sendo atropelados na rodovia SP-101 (confira a notícia na íntegra). O acidente envolveu dez carros, deixou nove pessoas feridas e resultou na morte brutal de seis cavalos e também um cachorro. Beethoven Júnior, como era conhecido, ficou famoso na região por ser o cão-mascote da rede de restaurantes Giovannetti e estava no banco de trás de um dos veículos. 

A tragédia reacendeu a discussão sobre o uso de animais em rodeios. Será que em pleno século XXI ainda necessitamos de um entretenimento cruel e perigoso como esse? Será que a cultura do homem do campo pode ser resumida a práticas tão arcaicas e desnecessárias?

Por Rosangela Ribeiro, médica veterinária

Gerente de Programas Veterinários da WSPA Brasil


 

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