Morte de cordeiro na TV foi cruel, sim: veja o que diz a legislação brasileira

17 de março de 2016

Filhote foi abatido pelo apresentador Rodrigo Hilbert em programa de culinária, gerando polêmica nas redes sociais

As imagens do animal degolado e pendurado pelas patas traseiras foram exibidas no programa da GNT “Tempero de família”, na quinta-feira (10). Objetivo era mostrar como preparar um churrasco rústico de ovelha.

Veja imagens e críticas aqui.

Chocados com a morte do cordeiro espectadores criticaram Hilbert nas redes sociais por maus-tratos aos animais. As críticas partiam tanto de vegetarianos e veganos, quanto de pessoas que comem carne – mas que se sensibilizaram com o animal.

O que gerou uma nova onda de críticas.

Internautas logo rebateram os que se chocaram, argumentando que “bife não nasce na prateleira do supermercado” ou que “é assim mesmo que se produz carne”.

Não. Não é assim.

No Brasil, os animais são protegidos por uma série de normas e leis.

Entre elas, o Decreto 24645 de 1934 que estabelece que aquele que, em local público ou privado, aplicar ou fizer aplicar maus-tratos aos animais está sujeito a multa e pena de prisão. Ainda no Decreto, considera-se maus tratos não dar morte rápida (livre de sofrimento prolongados) a todo animal cujo extermínio seja necessário para consumo ou não.

Isto significa que a morte deve ocorrer com prévia insensibilização, para que o animal não sinta angústia, dor e sofrimento desnecessário.

Durante o programa “Tempero de família”, o animal foi sacrificado de forma cruenta – ou seja, degolado e sangrado sem qualquer insensibilização prévia para torná-lo inconsciente antes de morrer. Este é um processo extremamente doloroso para o animal e não pode ser considerado, em hipótese alguma, como um método de abate “aceitável”.

A legislação exige um estabelecimento apropriado, com pessoas capacitadas e equipamentos próprios e adequados, atentando a todos os cuidados com o bem-estar, higiene e segurança do alimento demandados por lei.

Sabemos que muitos animais ainda são abatidos de forma cruel – seja pelo abate clandestino e pela falta de fiscalização em frigoríficos. Ou mesmo falta de informação entre aqueles que criam animais para se alimentar. Mas ser um pequeno produtor não justifica submeter o animal a este tipo de sofrimento.

Especialmente quando existem alternativas mais humanitárias.

É preciso começar o debate

A repercussão deu início a um debate importante. De fato, muitas pessoas não associam a carne que compram nos supermercados – embalada e industrializada – ao abate de animais.

Mas parte do incômodo dos espectadores também vem da brutalidade à que o cordeiro foi submetido. Desnecessariamente. O abate do animal para o consumo não precisa e não deve ser realizado dessa forma, pois atualmente já existem métodos que evitam a dor e o sofrimento no momento da morte.

Falta conhecimento. Não apenas sobre “como aquele bife (ou leite) chegou à prateleira”, mas também sobre a forma como os animais são tratados em diferentes sistemas de produção. Este é o tipo de informação que ajudaria consumidores a fazer escolhas mais conscientes e a influenciar desde pequenos produtores a grandes empresas, impactando o bem-estar de bilhões de animais no Brasil.

É o mínimo que devemos fazer.

Em números: veja como a World Animal Protection está trabalhando para reduzir o sofrimento de animais de produção.

Ser um pequeno produtor não justifica submeter animais a este tipo de sofrimento

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