De golfinhos a tigres: por que as 'selfies' com animais silvestres precisam acabar

18 de fevereiro de 2016

Morte trágica de filhote de golfinho, na Argentina, é resultado de uma cultura que promove a interação irresponsável com os animais

Retirado do mar e manuseado por uma multidão fora d'água, o pequeno golfinho da espécie franciscana (Pontoporia blainvillei) acabou morrendo. 

O objetivo dos turistas? Tirar uma foto com ele.

Essa é uma morte trágica e sem sentido. Muitas pessoas, na tentativa de obter uma "selfie" perfeita, passam por cima do bem-estar dos animais silvestres - seja na praia de Santa Teresita, na Argentina, ou em uma dessas atrações turísticas que promovem fotos ao lado de tigres enjaulados. 

Vale lembrar que se é possível montar, abraçar ou tirar uma selfie com um animal silvestre, provavelmente este animal está sofrendo. 

Os animais silvestres pertencem ao seu habitat natural. 

A história poderia ter sido diferente

Os turistas argentinos deviam ter pedido ajuda imediatamente e devolvido o pobre filhote de golfinho para o oceano, ao invés de usá-lo em suas fotografias.

Entenda por que uma 'selfie' é tão cruel.

Um golfinho ou qualquer filhote encontrado sozinho na natureza, frequentemente, ficou órfão ou está perdido do seu grupo. Devolvê-lo ao oceano é o mais correto. Isto deve ser feito com a ajuda de profissionais, preferencialmente por mais de uma pessoa. 

Outro golfinho adulto também foi retirado da água, cercado e até montado antes de conseguir voltar ao mar com vida.

O que poderia ter sido uma história de resgate bem-sucedida acabou com a morte desnecessária de um dos golfinhos.  

Ameaçados de extinção

Os golfinhos franciscanas são uma das menores espécies do mundo, medindo de 1,30 a 1,70 metro, e estão ameaçados de extinção.  

A fundação argentina Vida Silvestre ressaltou que estes golfinhos não podem ficar muito tempo na superfície. Sua pele grossa e gordurosa os mantêm aquecidos dentro d'água, mas sob o sol pode causar rapidamente a desidratação e levar à morte.

O problema é maior

"Além da trágica morte deste golfinho, é importante refletir", defende Roberto Vieto, coordenador de vida silvestre da World Animal Protection. "Precisamos acabar com essa tendência de querer estar perto ou manusear um animal silvestre".

Para ele, essa cultura de "selfies" é promovida por parques que idealizam o contato direto com animais silvestres e permitem que os turistas se fotografem ao seu lado. "É preocupante", lamenta Vieto, "porque as pessoas não se dão conta do risco que correm e das conseqüências disto para o bem-estar do animal".

Junte-se ao nosso movimento Silvestres. Não Entretenimento.

"Queremos que estes estabelecimentos parem de promover esta atividade, já que manda uma mensagem totalmente errada do que é um encontro responsável com um animal silvestre", finaliza. 

Seja um turista responsável

Nenhum animal silvestre deve sofrer abuso ou maus tratos em nome do entretenimento. Neste exato momento, 550 mil animais em todo o mundo sofrem nas mãos desta indústria cruel.

A World Animal Protection pede para que as pessoas que amam os animais optem sempre por observá-los na natureza, de forma responsável. Ou seja, sem causar sofrimento e estresse. 

Baixe o nosso guia de turismo responsável. 

ATUALIZAÇÃO: Recentemente, tem circulado ainda a informação de que o filhote de golfinho já estaria morto quando foi retirado da água e que a intenção da multidão era salvá-lo, não fotografar-se junto com ele. Não é possível checar a procedência dessa alegação. Os sites que defendem que a notícia é "boato" não dão informações sobre o golfinho adulto, que aparece sendo montado e segurado pelo bico (com a cauda curvada para cima, ainda vivo) para as fotos. Optamos por manter o texto, pois a reflexão sobre a interação irresponsável com animais silvestres é ampla e segue pertinente.

Se é possível montar, abraçar ou tirar uma selfie com um animal silvestre, provavelmente este animal está sofrendo

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