Novo guia do CRMV-SP ajuda veterinários a avaliar casos de maus-tratos

25 de outubro de 2018

Nossa equipe contribuiu para elaboração da ferramenta, que agilizará o processo de investigação e resgate de centenas de animais vítimas da crueldade

Não poderíamos estar mais orgulhosos em poder contar com um time de especialistas empenhados em mover o mundo para melhorar a vida de milhares de animais. 

Rosangela Ribeiro, gerente de programas veterinários, e Paola Rueda, especialista em bem-estar animal, além de serem parte fundamental da nossa equipe, são também membros do Conselho Regional de Medicina Veterinária de São Paulo (CRMV-SP) e participaram ativamente da produção do Guia prático para avaliação inicial de maus-tratos a cães e gatos.

O objetivo é que o diagnóstico de casos de maus-tratos seja feito rapidamente e encaminhado para investigação.

O guia aborda as necessidades e cuidados básicos com cães e gatos, a avaliação do ambiente e do manejo oferecido pelo tutor e conta ainda com a classificação do bem-estar animal e apresenta conceituações de termos como maus-tratos, negligência, crueldade, entre outros.

“Geralmente, são veterinários que fazem a primeira avaliação médica do animal, ou do local onde haja uma denúncia de maus tratos. Sendo assim, é muito importante para estes profissionais terem uma ferramenta simples para guiá-los”, comenta Rosangela.

O documento funciona como um protocolo básico que possibilita o levantamento inicial da situação, fornecendo o embasamento necessário para o encaminhamento da denúncia aos órgãos competentes e demais ações cabíveis, de acordo com o nível de comprometimento da Saúde Única no ambiente em que o animal esteja inserido.

Infelizmente, ainda nos deparamos com inúmeros casos de maus-tratos no Brasil. De acordo com a Dra. Cristiane Pizzutto, presidente da Comissão Técnica de Bem-estar Animal do CRMV, muitas denúncias estão relacionadas com negligências de necessidades básicas, como fornecimento de comida e água, atendimento médico veterinário, abrigo adequado etc.

“Muitas situações de maus-tratos ocorrem porque as pessoas não consideram a extensão das responsabilidades envolvidas antes de se tornarem tutores de um cão ou gato”, diz Dra. Cristiane.

Maus-tratos a animais podem indicar violência doméstica

Um dos temas levantados pelo guia é a relação entre os maus-tratos contra animais e a violência doméstica – as agressões contra animais não podem ser tratadas como um fato isolado.

“Dentro de uma residência, geralmente os animais são os seres mais vulneráveis. Quando há um agressor no local ou uma pessoa que tenha essa tendência violenta, os animais tendem a ser os primeiros atingidos. Acontece que geralmente as agressões não param por aí, depois dos animais as agressões podem acontecer com crianças, mulheres, idosos etc.”, explica Rosangela.  

Portanto, os atendimentos às denúncias precisam ser melhor monitorados pelos órgãos competentes.

No Brasil, um estudo realizado a respeito da violência doméstica apontou que 71% dos animais pertencentes a mulheres que haviam sofrido violência doméstica tinham sido submetidos a maus-tratos naquele domicílio.

Dados da Polícia Militar do Estado de São Paulo demonstram, ainda, que um terço das pessoas autuadas por crueldade aos animais tem, também, outros registros criminais, sendo que 50% destes registros são de crimes de violência contra pessoas.

Para saber mais sobre como denunciar casos de violência doméstica, clique aqui. Para mais informações de como denunciar casos de maus-tratos a animais, clique aqui.

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