Onças são mortas no Brasil e traficadas no Suriname para uso medicinal

02 de outubro de 2018

Imagens feitas por investigadores da Proteção Animal Mundial mostram onça morta e amarrada sendo vendida

Uma investigação liderada pela Proteção Animal Mundial aponta que onças-pintadas estão sendo vítimas do tráfico de animais no Suriname. O silvestre é caçado nas florestas tropicais, incluindo o Brasil, e exportado para China com fins medicinais.

Apesar de não haver base científica, acredita-se que o animal pode tratar dores como artrite, melhorar saúde e desemplenho sexual.

Depois de abatidas, as onças passam por um processo de cozimento de até uma semana para serem convertidas em uma pasta preta que é vendida para trabalhadores chineses no Suriname ou exportada para a China.

“O resultado da investigação é muito triste. Foi revelado um comércio clandestino e cruel, que explora um animal icônico das florestas tropicais da América do Sul para uma medicina que nem mesmo foi comprovada”, declara Roberto Vieto, da Proteção Animal Mundial no Brasil.

Animais sofrem antes de morrer   

Além de ilegal, a captura é extremamente dolorosa para os animais. 

As onças-pintadas são perseguidas e baleadas diversas vezes, sofrendo com múltiplos ferimentos até que estejam machucadas demais para se mover. Só nesse momento é que são mortas pelos caçadores.

Em um dos casos investigados, uma onça foi atingida por 7 tiros antes morrer, agonizando de dor.

Evidências apontam ainda que filhotes são retirados da natureza e vendidos para famílias ricas, como forma de provar status social.

Segundo nossas fontes, eles vivem em gaiolas até que sejam grandes demais para serem cuidados e às vezes acabam na mesa, já que sua carne também é consumida entre a população chinesa do Suriname.

Onças “substituem” produtos de tigres

De acordo com a IUCN, atualmente existem cerca de 173 mil onças-pintadas na natureza. Com mais mineração e exploração madeireira, resultando em perda de habitat e aumento dos conflitos da vida selvagem com a humana, as onças estão se tornando mais visíveis, e estão sendo direcionadas para o gado. A perda de habitat também torna mais fácil para caçadores oportunistas e gangues organizadas da máfia encontrarem estes silvestres na natureza.

Nossos investigadores acreditam que as onças-pintadas e outros grandes felinos (como a jaguatirica) estão sendo usados como produtos suplementares. Esses animais substituem os tigres na medicina tradicional asiática.

A atividade desencadeia uma tendência preocupante que pode levar a população de onças-pintadas ao declínio abrupto.

Outras partes do corpo dos felinos, que não são usadas na pasta (como os dentes), são exportadas ou vendidas no mercado local.

Esforço conjunto para combater o tráfico

A caça à onça-pintada para a medicina tradicional asiática é algo que até agora tem sido relativamente desconhecido. Para resolver o problema, a Proteção Animal Mundial irá cooperar com os guardas do Suriname e com ONGs especializadas para buscar soluções tangíveis. Nossa equipe também irá compartilhar informações para evitar a caça furtiva.

Saiba mais sobre nosso trabalho com animais silvestres.

"O resultado da investigação é muito triste. Foi revelado um comércio clandestino e cruel, que explora um animal icônico das florestas tropicais da América do Sul"
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