Pedimos à ONU que determine a identificação de todos os equipamentos de pesca no mundo

16 de julho de 2018

Ação pode ajudar a acabar com o sofrimento de milhares de animais marinhos que são cruelmente mortos pela pesca fantasma

Foto:: Elain Blum / Marine Photobank

Neste mês de julho, estamos presentes na reunião do Comitê de Pesca da Organização da Agricultura e Alimentação (FAO), realizada em Roma, para pedir à ONU que estabeleça novas diretrizes para a política de pesca mundial e ajude a salvar milhares de animais da morte.

Nossa solicitação é objetiva e economicamente viável: que até 2025, todos os equipamentos de pesca comercializados no mundo sejam devidamente rotulados e identificados.

A situação é crítica e não podemos mais esperar. O nível de pesca fantasma aumentou nos últimos anos, e é provável que cresça ainda mais à medida que os esforços de pesca se intensifiquem. A cada ano, cerca de 640 mil toneladas de equipamentos de pesca são descartadas nos oceanos, ferindo e matando milhões de peixes, baleias, focas, golfinhos, entre outros animais marinhos.

Com a marcação, as agências de controle farão fiscalizações mais eficientes e poderão estabelecer punições às empresas e pescadores que abandonarem equipamentos nos oceanos.

“A marcação desses equipamentos, como parte de um pacote de medidas preventivas de gestão da pesca, possibilita que os petrechos de pesca sejam rastreados desde sua origem”, explica Ingrid Giskes, gerente global da campanha Sea Change.da Proteção Animal Mundial.


Baleia cachalote arrastando uma rede que foi abandonada no mar. Foto: Alberto Romeo / Marine Photobank

Solução fácil e barata

Já existem diversas opções de etiquetagem disponíveis no mercado e as novas tecnologias estão fazendo com que elas sejam cada vez mais acessíveis e econômicas. Algumas delas são:

  • Etiquetas físicas 
  • Marcação química 
  • Codificação por cores 
  • Identificação por radiofrequência (RFID) 
  • Balizas de rádio 
  • Boias de satélite  

Se todos os equipamentos de pesca comercial fossem marcados, empresas e pescadores seriam incentivados a garantir que as redes não fossem perdidas ou descartadas e a recuperar as que foram. Além disso, as agências de fiscalização teriam a oportunidade de rastrear os infratores.

Por ser uma das instituições mais influentes do mundo, acreditamos que a ONU tem o dever de assumir a liderança, não apenas determinando a identificação dos equipamentos, mas também exigindo que as diretrizes sejam cumpridas dentro de um prazo determinado.

Perigo sob as ondas

Por serem equipamentos específicos para captura de animais marinhos, ao serem abandonados nos oceanos, os petrechos de pesca viram verdadeiras armadilhas mortais. Muitos animais ficam presos nesses equipamentos - e, muitas vezes, são mutilados - e morrem de forma lenta e dolorosamente.

Todos os anos, mais de 136.000 baleias, golfinhos, focas e tartarugas são capturados pela pesca fantasma.

Espécies importantes da fauna brasileira, como baleia-jubarte, baleia franca austral, golfinhos e tartarugas, estão entre as mais impactadas. No Brasil, cerca de 80% das mortes de tartarugas marinhas são causadas por petrechos de pesca fantasma.

Além do sofrimento animal, a pesca fantasma também tem impacto devastador nos meios de subsistência das pessoas, diminuindo em até 30% a quantidade de peixes nos oceanos.

Saiba mais sobre o problema

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