Porcas podem sofrer síndrome pós-parto assim como mães humanas

11 de maio de 2018

Neste Dia das Mães, pedimos que se lembrem das porcas mães e se juntem a nós na luta pelo fim da crueldade cometida contra elas nos sistemas industriais intensivos

Um artigo publicado recentemente comprovou cientificamente que as mães porcas – confinadas em cruéis sistemas industriais intensivos, onde são incapazes de exercer seu comportamento natural, se mover, procurar alimento, explorar ou socializar – estão sujeitas aos mesmos ricos que as mães humanas de sofrerem com transtornos psicológicos ou depressão pós-parto.

Assim como nas mulheres, os níveis hormonais das porcas mães mudam drasticamente quando estão prestes a dar à luz, o que pode induzir os sintomas de depressão pós-parto em ambas as espécies.

Esses sintomas são agravados ainda mais no caso das porcas por serem mantidas em condições precárias, pelo estresse do confinamento, a dor do parto, a falta dos leitões – que são retirados de suas mães prematuramente – e a falta de apoio social de outros porcos.

Sem poder construir um ninho para os filhotes

Durante a gestação, por exemplo, as porcas têm um forte instinto de construir ninhos para seus leitões, mas é impossível corresponder ao instinto quando estão enjauladas. 3 em cada 4 porcas mães passam a maior parte de suas vidas confinadas em gaiolas do tamanho de uma geladeira comum.

Os níveis de hormônios do estresse constatado em porcas que não podem corresponder ao seu instinto natural e não têm com o quê construir seus ninhos são muito mais elevados do que em porcas que recebem espaço e materiais para aninhar.

“É difícil ver as porcas mães em gaiolas apertadas e inóspitas. A frustração e angústia delas é visível, elas ficam tentando fazer seus ninhos mesmo cercadas por metal. Seus rostos e corpos ficam cheios de feridas por conta das barras que as cercam”, relata a Dra. Sarah Ison, da Proteção Animal Mundial.

O sofrimento de não socializar com outras porcas

Pedimos aos produtores que criem as porcas em baias, não em gaiolas, para que elas possam dar à luz nos ninhos que construíram e cuidar bem de seus filhotes, como certamente desejam fazer.

De todos os animais criados em fazenda ao redor do mundo, os porcos são os mais inteligentes e sociáveis. Por natureza, os porcos vivem em grupos matriarcais de duas até seis fêmeas adultas ao lado de seus leitões e porcos mais jovens.

Mas nos sistemas industriais intensivos a realidade é totalmente diferente.

As porcas mães são isoladas em gaiolas apertadas durante a gestação, parto e amamentação. Elas não podem se mover, interagir umas com as outras ou aprender com o comportamento de porcas mães mais experientes.

As necessidades básicas das porcas são negligenciadas cruelmente. Elas são obrigadas a suportar uma vida inteira de frustração e sofrimento, enjauladas, servindo apenas como uma máquina de reprodução para o sistema industrial.

Filhotes separados cedo demais das mães

Outra angústia para as porcas mães é que os leitões são retirados delas cedo demais. Na natureza, as porcas desmamam seus leitões entre 10 e 17 semanas após o parto, mas nos sistemas industriais intensivos, os leitões são retirados de suas mães com apenas 3 semanas.

Essa separação é cruel tanto para as mães quanto para os filhotes. Nas fazendas industriais, eles gritam uns pelos outros durante semanas.

Obviamente, nessas condições, os filhotes e mães ficam com níveis superelevados de estresse, o que poderia ser evitado aumentando a idade de desmame.

Além disso, as porcas dos sistemas industriais intensivos são estimuladas a produzirem ninhadas excessivamente numerosas, o que faz com que elas tenham mais filhotes do que podem alimentar. Consequentemente, alguns dos leitões não sobrevivem.

Para garantir o bem-estar das porcas e dos leitões é necessário que a quantidade natural de crias seja respeitada.

Neste dia das mães, lutamos por elas

Com a celebração do dia das mães ao redor do mundo inteiro, aproveitamos para convocar todos os consumidores a tomarem uma atitude e nos ajudar a acabar com o sofrimento das porcas mães dos sistemas industriais intensivos.

Os supermercados têm o poder de mudar a vida dos porcos. Eles gastam milhões de dólares a cada ano comprando carne suína de produtores no mundo todo. Portanto, também são responsáveis por garantir que seus fornecedores criem os animais com altos padrões de bem-estar.

Mas os supermercados só mudarão se souberem o quanto o bem-estar dos animais é importante para seus clientes.

Neste dia das mães, as porcas precisam que lutemos por elas. Peça aos supermercados que se comprometam em mudar a vida das porcas.

Assine por 42 milhões de porcos no Brasil

Precisamos do seu apoio para pedir aos grupos Pão de Açúcar, Carrefour, Walmart e Cencosud que assumam um compromisso público para mudar a vida dos porcos.

Queremos que eles implementem políticas de bem-estar animal em todas as suas redes de supermercados no Brasil e passem a exigir que seus fornecedores de carne suína melhorem a forma como criam os animais.

"A frustração e angústia delas é visível, elas ficam tentando fazer seus ninhos mesmo cercadas por metal"

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