Se você ama girafas, deixe que sejam livres

20 de junho de 2017

Às vezes, o amor e o fascínio pelos animais silvestres podem submetê-los a uma vida inteira de sofrimento

As girafas são fascinantes para os humanos. Mais de 1,2 milhão de pessoas assistiram ao nascimento da girafinha April no zoológico de Nova Iorque, em abril. 

Há milhares de anos, esses animais nos encantam com o seu pescoço longo e elegante, o seu comportamento reservado e as manchinhas pelo seu corpo.

Nossos ancestrais desenhavam as girafas e outros animais silvestres nas paredes das cavernas — possivelmente como parte de um ritual ou para transmitir conhecimento às futuras gerações.

Crédito: Wikicommons

Todavia, esse fascínio nem sempre foi positivo para as girafas.

Um custo alto pela diversão

As girafas têm sido mais do que animais para as pessoas. O imperador romano Júlio César levou a primeira de muitas girafas da Alexandria para a Europa, no ano 46 AC. Elas eram exibidas como espécies raras e exóticas no centro da cidade, geralmente com uma corda amarrada em seu pescoço. Algo muito diferente das suas condições normais de vida.

Crédito: Wikicommons

Durante centenas de anos, as girafas também foram usadas como presentes de alto padrão. No século XV, o sultão do Egito presenteou o governador de Florência, Itália, com uma girafa. A intenção era melhorar as relações políticas entre as duas regiões. E um povoado da África ofereceu várias girafas ao imperador chinês que os explorava. Cerca de 400 anos depois, um governador turco deu girafas aos reis da França e da Inglaterra pelo mesmo motivo.

O transporte das girafas naquela época era cruel: Zarafa, a girafa que foi oferecida à França, foi levada de barco desde Alexandria até Marselha. A viagem durou 32 dias.

Assim que chegou, foi obrigada a caminhar por 900 quilômetros até Paris: um percurso que durou mais 41 dias.

Crédito: Wikicommons

Desde o século 2, as girafas já não eram consideradas apenas uma diversão ambulante: os romanos as caçavam para demonstrar poder e maltratavam elas em circos, obrigando-as a se defender de gladiadores em batalhas sangrentas. E a tradição de caçá-las como um troféu valioso continuou por muito tempo.

A ponto de desaparecer

Hoje, séculos depois, a história não é tão diferente assim. Apesar de ser um animal icônico e amado por tantas pessoas, pesquisadores a consideram em risco de extinção e os caçadores ainda a consideram um troféu exótico. Só nos últimos 30 anos, a população de girafas reduziu 40% devido à caça e à perda de habitat. Outros animais silvestres também correm o mesmo risco.

Mesmo que sejam encantadores, as girafas, tigres, leões, elefantes, tartarugas e outras espécies correm perigo de desaparecer para sempre.

Animais que trabalham: 6 exemplos bons e ruins

Muitos dos que ainda estão vivos são explorados em atrações turísticas e e sofrem maus-tratos para entreter turístas e gerar lucro. Esses animais são arrancados dos cuidados de suas mães desde pequenos e retirados do seu habitat natural. Eles são forçados a divertir as pessoas, dopados para fotografias, obrigados a levar famílias inteiras para passear nas suas costas.

Crédito: World Animal Protection

E mesmo sem saber, muitos turistas ainda financiam esses estabelecimentos e permitem que continuem maltratando animais.

Sua decisão é vital

Neste Día Mundial das Girafas, você pode fazer algo valioso por elas e por todos os animais silvestres: se comprometa a não visitar atrações turísticas que usam animais silvestres para divertir as pessoas. 

A Proteção Animal Mundial está fazendo a sua parte: conseguimos fazer com que a TripAdvisor, a maior empresa de viagens online, deixe de vender ingressos para atrações que permitem o contato entre humanos e animais silvestres.

Além disso, estamos pressionando a Carnival Cruise para que não leve seus clientes ao Centro de Tartarugas das Ilhas Cayman, onde milhares de tartarugas marinhas são manuseadas por turistas, amontoadas em tanques cruéis e criadas para consumo humano.

As girafas e os animais silvestres não são entretenimento.

Eles devem ser observados em seu habitat natural e de maneira responsável, não em atrações que promovem o seu sofrimento. A decisão é sua: junte-se ao nosso movimento para proteger os animais!

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