A vida dos botos cor-de-rosa nas mãos da Colômbia

11/08/2014

World Animal Protection pede ao governo colombiano, maior consumidor da piracatinga brasileira, fim do comércio do peixe responsável pela morte de botos.

“Para proteger o boto, agora precisamos que outros países, como a Colômbia, tomem uma atitude para frear a importação da piracatinga.”

A World Animal Protection entregou na manhã de hoje (11), um pedido à ministra colombiana de Relações Exteriores, María Ángela Holguín Cuellar, para que suspenda a importação da piracatinga brasileira, cuja pesca é a maior responsável pela morte do boto cor-de-rosa (Inia geofrensis) da Amazônia.

Pela carta, a World Animal Protection solicita uma audiência com a ministra para explicar como, indiretamente, o aumento do consumo da piracatinga na Colômbia nos últimos dez anos aumentou a matança ilegal do boto em 10% ao ano.

Acesse a carta aqui (em espanhol).

Juntamente com a carta, a ONG (organização não governamental) lançou uma petição online solicitando apoio da população dos países latino-americanos para que a Colômbia tome uma atitude em prol do maior golfinho de água doce do mundo. A petição pode ser acessada por meio do link: www.euprotejoboto.org.br.

Em 18 de julho, o governo brasileiro adotou a primeira medida para conter a caça ilegal do boto cor-de-rosa, decretando uma moratória sobre a pesca e comercialização da piracatinga em todo o território nacional. A moratória entra em vigor em 1º de janeiro de 2015 e tem uma validade de cinco anos, período em que o Brasil se compromete a estudar alternativas à pesca desse peixe sem a utilização do boto como isca.

“Se por um lado este é um primeiro passo para a proteção do boto, é difícil acreditar que esta medida, sozinha, resolverá um problema complexo, e que atravessa fronteiras”, avalia Roberto Vieto, coordenador do programa de Vida Silvestre da World Animal Protection. “Para proteger o boto, agora precisamos que outros países, como a Colômbia, tomem uma atitude para frear a importação da piracatinga”, explica.

No Brasil, os cetáceos estão protegidos por lei federal desde 1987. A lei entretanto, não evitou até hoje a caça dos botos, o que mostra a necessidade de adotar diversas medidas para acabar com esse crime e proteger esse animal.

Um dia de esperança para o boto

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