Xanda, filho do leão Cecil, é morto por caçador de troféu

21 de julho de 2017

O leão de seis anos de idade foi caçado nas proximidades do Hwange National Parque, no Zimbábue

Xanda teve o mesmo destino de seu pai. O leão foi morto por um caçador que participava de uma caçada de troféu nas imediações do Parque Nacional Hwange, no Zimbábue.

Cecil e Xanda não foram os primeiros leões do parque a serem assassinados. Nos últimos 15 anos, 60 leões considerados protegidos foram mortos por caçadores.

A morte foi anunciada nesta quinta-feira (20) na página do Facebook Lions of Hwange National Park, mas, de acordo com Andrew Loveridge, pesquisador da Universidade de Oxford (Inglaterra), Xanda foi morto no último dia 7 de julho, quando estava fora do parque com sua alcateia.

Assim como Cecil, ele usava um colar eletrônico colocado pelos pesquisadores para monitorar seus movimentos. O colar foi devolvido aos oficiais do parque pelo organizador do safari, Richard Cooke Safaris, que não revelou a identidade do caçador responsável por sua morte.

Como Xanda tinha mais de seis anos de idade e estava fora dos limites do parque, sua caçada não foi considerada ilegal pelas autoridades do Zimbábue e não haverá consequências para os envolvidos.

Indústria milionária da morte

O assassinato de Cecil pelo dentista americano Walter Palmer, em 2015, chocou milhares de pessoas ao redor do mundo e voltou as atenções para a lucrativa e cruel indústria da caça.

A maioria dos turistas que participam de caçadas de troféu vem dos Estados Unidos, Reino Unido e África do Sul, e pagam milhares de dólares para perseguir animais e matá-los.

“A África se beneficiaria muito mais com uma indústria focada em proteger os leões, e não em matá-los. No Quênia, único país africano onde a caçada de troféu é totalmente proibida, os safaris de observação representam cerca de 800 milhões de dólares para a economia anual do país”, explica Tennyson Williams, Diretor da Proteção Animal Mundial na África.

Assim como Palmer, o caçador que matou Xanda pagou cerca de 55 mil dólares pelo safari. Ironicamente, parte do dinheiro pago por eles financia equipes de oficiais para proteger a vida silvestre nos parques nacionais africanos.

Uma ameaça ao futuro da vida silvestre

Nos últimos 100 anos, a população de leões sofreu um declínio de 90% – de 200 mil animais para apenas 20 mil.

Os organizadores de safaris de caça alegam que as taxas pagas por eles aos parques ajudam a manter programas de conservação de grandes felinos - que também são ameaçados pela perda de seu habitat natural, pelo conflito com humanos e pela diminuição da oferta de presas para se alimentarem. Porém, segundo o relatório do Fundo Internacional para Bem-Estar Animal (IFAW), o número de leões mortos em caçadas em parques chegou a 1.500 na última década, colocando esse tipo de atividade entre as principais causas de morte desses animais.

A caça também alimenta o negócio lucrativo de criação de leões em cativeiro. Estima-se que existam mais de 7.000 estabelecimentos desse tipo somente na África do Sul. Os criadores fornecem animais para safaris de caça e para os chamados “parques de leões”. Nesses locais, os filhotes são separados de suas mães para servirem de acessórios para fotos e enfrentam uma vida inteira de sofrimento.

Faça sua parte

A Proteção Animal Mundial se opõe a toda forma de crueldade contra animais. Nós acreditamos que a criação e caça de leões em nome do entretenimento precisa ter um fim.

Junte-se ao nosso movimento global pelo fim da exploração de animais silvestres: Silvestres. Não entretenimento.

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"Os animais silvestres pertencem à natureza e não devem servir de objeto para a sórdida indústria da caça" Tennyson Williams, Diretor da Proteção Animal Mundial na África

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