Botando Ordem no Galinheiro 2022

Quarta edição do relatório global "Botando Ordem no Galinheiro" revela que redes como Burger King, Subway e KFC seguem deixando de lado o bem-estar dos frangos no Brasil

O relatório global "Botando Ordem no Galinheiro" tem como objetivo avaliar o nível de bem-estar na criação de frangos cuja carne abastece as gigantes do fast-food. As notas gerais são extraídas a partir da avaliação de três aspectos principais, com igual peso, da atuação das empresas: compromissos corporativos, ambição por mudanças e transparência

A edição de 2022 do relatório mostra que a situação das redes Burger King, McDonald's, Subway, KFC, Pizza Hut, Domino's e Starbucks no Brasil é de insuficiência generalizada na adoção de padrões básicos de bem-estar animal nas cadeias de suprimentos dessas empresas. 

O documento também indica a inexistência da comunicação de compromissos corporativos sobre o tema e de sua evolução ao longo do tempo. Diante dessa realidade, todas as redes ficaram posicionadas na pior faixa possível da avaliação geral do relatório - o nível 6, que corresponde a um desempenho “muito ruim” e sujeita os frangos a uma vida de sofrimento. 

O pior é que, as redes que tinham conseguido, no ano passado, uma avaliação geral ao menos intermediária, agora regrediram. Já as que estavam na pior faixa qualitativa tiveram um avanço praticamente insignificante. 

Leia o relatório completo

As principais empresas de alimentos do mundo estão fechando os olhos para o sofrimento animal

Como é feita a análise

"Botando Ordem no Galinheiro” avalia as empresas de fast-food por meio de informações publicamente disponíveis em três áreas: 

Compromisso (compromissos corporativos): o quanto suas políticas definem claramente a importância do bem-estar dos frangos para as empresas; 

Ambição (objetivos e metas): se há um cronograma definido que demonstra os objetivos, metas e promessas que uma empresa fez para melhorar o bem-estar dos frangos – e em que prazo eles serão cumpridos;  

Transparência (relatórios de desempenho): existência de relatórios de desempenho elaborados pelas próprias empresas, e quão claras são as informações sobre o cumprimento de suas promessas de bem-estar dos frangos ao longo do tempo. 

Conheça a realidade das redes no Brasil

Chickens in  a cage

O Burger King segue negligenciando o bem-estar dos frangos e foi uma das empresas com pior desempenho. Além de obter um índice de conformidade de apenas 17% dos padrões de bem-estar dos frangos, a rede não possui mais qualquer tipo de comunicação pública e transparente desses compromissos e de sua melhoria. Como média geral, obteve apenas 9% da pontuação possível (dentro da faixa 6, “muito ruim”), suficiente apenas para ocupar a terceira colocação entre as empresas.  

O McDonald’s, que no ano passado liderava entre as redes no Brasil, deixou totalmente de reportar o próprio desempenho e viu o atendimento aos padrões de conformidade de bem-estar animal caírem, indo a 23% de adequação. A pontuação geral alcançada foi de apenas 12% - no ano passado, eles haviam atingido 32%. Saiu assim da faixa 4, “começando (a mostrar evolução)” e caiu para a faixa 6 (“muito ruim”) junto com todos.  

O Subway teve um desempenho igual ao McDonald's e, por isso, divide com eles a melhor posição entres os restaurantes de fast-food no Brasil. A rede também regrediu de faixa qualitativa em relação à última edição, baixando do nível 5 (“fraco”) para o 6, “muito ruim”

KFC e Pizza Hut também se igualaram nos pilares avaliados individualmente e na média geral. Assim como todas as demais redes no Brasil, não fizeram qualquer comunicação transparente de desempenho. No atendimento aos padrões mínimos de bem-estar dos frangos por suas cadeias de suprimentos, alcançaram uma conformidade de apenas 14%. Com isso receberam uma nota geral de apenas 7% do possível e conquistaram uma posição intermediária entre as redes, mesmo que dentro do nível “muito ruim”. 

Domino’s e Starbucks, por sua vez, registraram “zeros” de fora a fora. Mas, ainda assim, qualitativamente estão na mesma prateleira de desempenho “muito ruim” das demais redes avaliadas pelas operações no Brasil. 

Leia o relatório completo

O relatório “Botando Ordem no Galinheiro 2021” evidenciou a distância entre discurso e ação por parte das grandes redes de fast-foodBurger King, em particular, estava no centro dessa polêmica ao tratar de forma diferente os consumidores de acordo com o país em que vivem. 

Os braços da rede nos Estados Unidos, Canadá e Reino Unido estabeleceram metas de bem-estar para os frangos que compram para fazer os lanches por lá. Por aqui, nós, da Proteção Animal Mundial, iniciamos conversas com o Burger King Brasil, em 2019, para propor melhorias no mesmo sentido, mas o esforço só resultou em algumas reuniões e avaliações dos fornecedores.

Em setembro de 2021, lançamos a campanha "Que BaBKice É Essa?" e começamos a pressioná-los nas redes sociais para que conseguíssemos avançar nas negociações mas, novamente, nós e os pedidos de nossos apoiadores foram ignorados.

“Logicamente a atenção que todas essas redes de restaurante dão para o bem-estar dos frangos nos interessa igualmente. Mas o Burger King Brasil merece interesse estratégico pelo papel que pode exercer para uma mudança do mercado. E pela incoerência da marca em escala global, uma vez que ela já anunciou a adesão a compromissos ao menos parcialmente alinhados com o Better Chicken Commitment (BCC) nas operações dos Estados Unidos, Reino Unido e Canadá”, diz o gerente de Agropecuária Sustentável da Proteção Animal Mundial, José Ciocca.

“Depois da edição do relatório do ano passado, o BK Brasil ensaiou a abertura de diálogo conosco, mas logo deixou de avançar. Na próprio estrutura, passou a interlocução da área de Responsabilidade para a área de Comunicação. Mas o bem-estar dos animais, que está intimamente ligado com a própria saúde humana, não é um assunto de Relações Públicas", complementa Ciocca.

Juntos, podemos mudar essa realidade

Anualmente, quase 50 bilhões de frangos são criados em sistema industriais intensivos. Vivos e curiosos, os frangos são confinados em galpões escuros e superlotados.

A maior parte da carne de frango utilizada pelas redes de fast-food vem de animais criados em sistemas industriais intensivos - galpões lotados, estéreis e sem acesso à luz natural. 

Nestes sistemas, os frangos são selecionados geneticamente para crescer de forma acelerada e não natural. Devido ao seu tamanho e à velocidade de crescimento, eles enfrentam um sofrimento terrível, como:

  • Problemas locomotores muito dolorosos;
  • Corações e pulmões sobrecarregados;
  • Feridas, incluindo lesões de pele e nos pés;
  • Episódios de morte súbita.

Frango dentro de uma granja industrial, em pé e mostrando sinais de um crescimento acelerado pelo modo em que é criado

Uso indiscriminado de antibióticos 

Os métodos de criação intensiva também costumam contar com o uso preventivo e rotineiro de antibióticos como uma solução simplificada para camuflar o estresse crônico desses animais, que podem fazê-los ficar doentes mais facilmente. 

Só que o uso excessivo de antibióticos está alimentando a crise mortal de bactérias multirresistentes. Estima-se que infecções hospitalares por bactérias resistentes a antibióticos sejam responsáveis por 700.000 mortes de humanos em todo o mundo anualmente. Se essa tendência continuar, as projeções indicam que esse número possa aumentar para 10 milhões de mortes por ano até 2050.

Não são apenas os frangos que estão sofrendo - a saúde humana também está sendo ameaçada.

Ajude-nos a pressionar o Burger King Brasil

Chickens in a poor animal welfare environment inside battery cages