Não está convencido de que poderia ser vegetariano? Comer menos carne já ajuda os animais, o planeta e sua saúde

Publicado em 26 de abril de 2018 por

Steve McIvor

Uma abordagem ética ao consumir carne pode fazer uma grande diferença em sua vida e na vida de bilhões de animais

Como CEO da Proteção Animal Mundial, as pessoas sempre me perguntam o que elas podem fazer para ajudar a proteger os animais. Inclusive, essa pergunta me foi feita novamente neste final de semana por amigos que vieram jantar na minha casa. A minha resposta foi simples: “cortem de sua dieta a carne produzida de forma cruel”. “Impossível” foi a resposta deles...

Quase todos que estavam na mesa disseram que, em algum momento de suas vidas, tentaram se tornar vegetarianos ou veganos, mas, após algumas semanas, não resistiram a um sanduíche com bacon ou um assado de domingo. Então, tive de explicar o que eu realmente quis dizer. Quando havia dito “cortar carne produzida de forma cruel”, não era “sem carne”. E um debate acalorado tomou boa parte da nossa noite.

Pela minha experiência, posso dizer que muitas das pessoas que tentam ser vegetarianas ou veganas acabam voltando a comer carne. Apesar de ficarem chocados com fotos e vídeos mostrando as condições precárias que bilhões de animais de fazenda são submetidos, a maioria das pessoas sente que não tem força de vontade ou disciplina para reduzir o consumo de carne.

Porcas-mãe criadas em gaiolas.

Coma menos, coma melhor

Comer de forma ética não precisa ser uma opção de tudo ou nada. Se, a cada semana, mais pessoas optassem por comer um pouco menos de carne, mas com maiores níveis de bem-estar, poderia ajudar os bilhões de animais criados em fazendas todos os anos. Dos mais de 70 bilhões de animais criados em fazendas anualmente, 50 bilhões são criados pelos sistemas industriais intensivos. Esses animais são tratados como engrenagens de máquinas e não como seres que possuem vida, respiram e sentem. Eles suportam uma vida curta e miserável, são amontoados em gaiolas, caixas ou baias, onde são impossibilitados de expressar seu comportamento natural.

Muitos desses animais são criados seletivamente para crescer rápido, ficam com os ossos enfraquecidos ou quebrados, desnutridos, sofrem frequentemente de infecções e falência de órgãos. As pessoas realmente precisam pensar melhor sobre isso quando estão enchendo seus carrinhos nos supermercados. Ao evitar carne barata produzida de forma cruel, os consumidores podem apoiar os produtores que estão fazendo a coisa certa.

Os supermercados e seus fornecedores precisam agir

As coisas já estão melhorando em alguns países. Um dos maiores produtores de carne suína do mundo, a tailandesa Charoen Pokphand Foods, assumiu o compromisso de remover as porcas das gaiolas durante a gravidez. A empresa garante que 100% das porcas grávidas fiquem em baias de gestação em grupo até 2025 em suas operações na Tailândia. Todas as fazendas recém-criadas para porcas prenhes usarão as baias para gestação em grupo até o final deste ano. Essas melhorias podem e devem ser replicadas por fazendas ao redor do mundo.

Mas há muito ainda a ser feito. Tirar as porcas das gaiolas e colocá-las em grupos sociais, dar-lhes materiais como palha para manipular, significam que os porcos poderão ser porcos, e viver, brincar, explorar, socializar e viver mais seu comportamento natural. 

As redes de supermercados têm muito poder para mudar a vida dos porcos. Uma pesquisa recente realizada pela Proteção Animal Mundial constatou que a maioria dos clientes dos supermercados do mundo inteiro está preocupada com a forma como os porcos são criados e que, inclusive, estão dispostos a optar apenas por supermercados comprometidos em fornecer carne suína produzida com altos níveis de bem-estar.

Os supermercados precisam entender que seus clientes não querem mais consumir carne produzida de maneira cruel.


Porcas-mãe vivendo em grupo em ambientes com enriquecidos com palha.

Melhor para você, melhor para o planeta

Também está claro que, ao reduzir o consumo de carne, haverá menos pressão sobre os produtores que industrializaram seus sistemas de produção para atender a uma demanda global excessivamente alta por carne. E não são apenas os animais serão beneficiados, mas também os convidados do meu jantar – voltemos ao último final de semana. De acordo com o British Medical Journal (BMJ), comer menos carne pode reduzir as chances de desenvolver câncer, doenças cardíacas, acidentes vasculares cerebrais, diabetes, infecções, doenças renais, doenças hepáticas ou doenças pulmonares.

Além disso, a redução do consumo de carne traz grandes benefícios ambientais, tendo em vista que a produção pecuária contribui com quase 15% das emissões globais de gases de efeito estufa - mais do que toda a frota de carros, aviões e outras formas de transporte juntos.

As milhões de vacas criadas para produção de carne eliminam enormes quantidades de metano, muito mais potentes que o CO2 como gás de efeito estufa. Em um período de 100 anos, o “potencial de aquecimento global” do metano é 28 vezes maior que o do dióxido de carbono. O impacto ambiental da produção de carne precisa ser levado muito mais a sério.

Carne limpa

Não deve demorar muito até que nós possamos comer carne que não causa impacto no bem-estar dos animais, à saúde e ao meio ambiente. Acadêmicos e empresas estão trabalhando para produzir em escala a "carne limpa" - aquela cultivada a partir de células-tronco. Acredita-se que em alguns anos essa carne esteja disponível nos supermercados. Estudos mostraram que o cultivo de carne em laboratórios reduziria substancialmente a terra e a água necessárias. Também foi descoberto que as emissões de gases de efeito estufa seriam drasticamente reduzidas, bem como as gorduras saturadas e a carne ficaria livre de antibióticos e hormônios de crescimento.

Não é só a “carne limpa” que tem o potencial de enfrentar a crise agrícola. As alternativas de “carne” à base de vegetais estão decolando em variedade e popularidade. Grande parte do mundo tem acesso a uma variedade incrível de vegetais, que são relativamente baratos e abundantes.

Então, para aqueles que descartaram ser vegetarianos ou veganos, ainda há escolhas positivas que podem ser feitas. A Proteção Animal Mundial não é uma organização vegana ou vegetariana, mas nós entendemos o enorme efeito que a redução do consumo de carne pode ter na vida de animais de fazenda, na saúde humana e no planeta. Então, assuma um compromisso de reduzir o consumo de carne suína e outras carnes produzidas de forma cruel. 

Assine a petição pelos porcos

Para assinar esse compromisso e pedir aos supermercados que só forneçam carne suína de produtores que criam os porcos da forma correta, clique aqui.

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