Santa Catarina se torna a primeira área patrimônio de baleias do Brasil: um marco global para a conservação marinha
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Por Julia Trevisan
Área Patrimônio de Baleias, reconhecida internacionalmente por proteger o berçário de baleias-francas-austrais com observação responsável, cultura comunitária e conservação. Descubra o significado e impacto dessa conquista global.
Santa Catarina vira referência global na proteção de baleias
Em dezembro de 2025, o Berçário de Santa Catarina, no sul do Brasil, foi oficialmente reconhecido como Área de Patrimônio de Baleias pela World Cetacean Alliance (WCA). Essa designação coloca a região entre 12 áreas no mundo que representam os padrões mais altos de convivência entre humanos e cetáceos (baleias, golfinhos) e seus habitats e faz de Santa Catarina a primeira no Brasil e a segunda na América do Sul com esse reconhecimento internacional.
Mas o que exatamente significa esse selo e por que ele importa? Vamos entender esse marco à medida que conectamos ciência, cultura, conservação e economia local.
O que é uma Área de Patrimônio de Baleias?
As Áreas de Patrimônio de Baleias são uma rede global de destinos costeiros reconhecidos por promoverem valores de respeito, celebração e proteção de cetáceos e seus habitats naturais. Esse programa é liderado pela Aliança Mundial pelos Cetáceos, com apoio da Proteção Animal Mundial, dentro da rede mais ampla chamada Área Patrimônio de Vida Selvagem, que é uma iniciativa global que une comunidades, ciência, cultura e conservação para proteger a vida selvagem em terra e no mar.
Ao se tornar uma WHA, uma região demonstra que:
- Existe um compromisso comunitário real com a natureza;
- Práticas de observação da vida selvagem são responsáveis e sustentáveis;
- A proteção dos animais está integrada às tradições locais;
- Há educação ambiental e participação ativa da população local.
Por que Santa Catarina?
Santa Catarina se destaca porque abriga um dos berçários naturais mais importantes do Atlântico Sul para a baleia-franca-austral (Eubalaena australis), uma espécie que migra anualmente para zonas rasas e protegidas da costa catarinense entre maio e novembro para acasalar, dar à luz e cuidar dos filhotes em enseadas tranquilas.
A baleia-franca-austral é uma espécie emblemática de cetáceo com história de quase extinção em várias partes do mundo, e, embora esteja listada como “menos preocupante” pela IUCN, a subpopulação do Atlântico Sul ainda encontra desafios, incluindo mortalidade de filhotes e impacto humano em seu habitat.
Comunidade e cultura: mais que observação, é convivência
O reconhecimento de Santa Catarina como WHA junta ciência e vida cultural. A região não celebra apenas a presença das baleias-francas-austrais: ela integra essa presença ao modo de viver local. Desde 2016, as comunidades promovem anualmente eventos como o Celebração de boas-vindas às baleias, que conectam moradores e visitantes à natureza e à conservação.
Outro aspecto singular é a relação entre pescadores artesanais e golfinhos-nariz-de-garrafa durante a pesca da tainha: os golfinhos sinalizam a localização dos cardumes ajudando a pesca, comportamento raro e culturalmente significativo registrado em Santa Catarina, e que agora faz parte da narrativa de proteção do oceano.
Turismo responsável: da água à terra firme
Uma das exigências para ser reconhecida como WHA é a observação responsável de cetáceos. Em Santa Catarina, isso significa que a observação de baleias é feita exclusivamente a partir da costa (de praias, dunas, mirantes e trilhas) em vez de barcos nas enseadas onde as baleias dão à luz. Essa abordagem reduz perturbações aos animais, protege mães e filhotes e transforma o turismo em uma atividade de aprendizado e respeito.
Esse modelo é um exemplo de como o turismo pode fortalecer economias locais sem impactar negativamente a vida selvagem, integrando educação ambiental à experiência do visitante.
Conservação, cultura e cidadania em um só lugar
A designação como WHA coloca Santa Catarina ao lado de destinos como Hervey Bay (Austrália), Madeira (Portugal) e Golfo Dulce (Costa Rica), que são lugares onde a coexistência entre comunidades humanas e cetáceos são exemplos globais. A presença de espécies como baleias-francas-austrais e golfinhos reforça a importância ecológica da região e a necessidade de políticas públicas que protejam esse legado natural e cultural.
Parcerias e instituições envolvidas
- World Cetacean Alliance: organização global que lidera o programa Whale Heritage Areas, reconhecendo destinos que celebram e protegem cetáceos e seus habitats.
- Proteção Animal Mundial: parceira global na rede Wildlife Heritage Areas, apoiando a WCA em critérios de bem-estar e turismo responsável.
Quer saber mais? Acesse links oficiais que ampliam a compreensão do tema:
World Cetacean Alliance – Whale Heritage
WCA anúncio da designação de Santa Catarina:
Sobre o modelo global de Whale Heritage Areas (World Animal Protection):
Por que isso importa para o Brasil e para o mundo?
A designação de Santa Catarina como Whale Heritage Area é mais do que um reconhecimento simbólico. Ela representa:
- Um modelo comprovado de conservação comunitária baseada em ciência e cultura
- Uma forma de turismo sustentável que respeita a vida marinha
- Um marco de visibilidade internacional para a proteção de cetáceos
- Uma inspiração para outras regiões do Brasil e do mundo
Em um momento em que a vida marinha enfrenta desafios crescentes, sejam eles das mudanças climáticas à pesca intensiva, iniciativas como essa mostram que a convivência responsável entre humanos e espécies selvagens não é só possível, mas recompensadora para todos.
E o que eu posso fazer agora?
Compartilhar essa vitória é a forma mais simples de transformar reconhecimento em proteção real. Quando você reposta, encaminha ou comenta, a história do berçário das baleias em Santa Catarina alcança novas timelines, novas conversas e novas consciências. Se essa pauta te tocou, não deixe ela parar aqui.
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Foto: iGUi Ecologia