Turismo com elefantes na Tailândia: o que você precisa saber antes de viajar

Turismo com elefantes na Tailândia: o que você precisa saber antes de viajar

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Investigação de 15 anos revela que 69% dos elefantes em turismo na Tailândia vivem em condições ruins. Saiba como identificar exploração e viajar com ética.

A verdade sobre "santuários éticos": investigação de 15 anos revela exploração disfarçada de compaixão

Você pagaria para dar banho em um elefante que foi punido até aceitar seu toque? Porque é exatamente isso que acontece em centenas de "santuários éticos" na Tailândia. E milhares de brasileiros, sem saber, financiam essa crueldade todo ano ao visitarem o Sudeste Asiático.

A Proteção Animal Mundial acaba de lançar o relatório mais completo já feito sobre a indústria de turismo com elefantes: 'Criados para Entreter'. São 15 anos de monitoramento sistemático, 236 estabelecimentos visitados pessoalmente, 2.849 elefantes avaliados entre fevereiro de 2024 e janeiro de 2025.

A conclusão é devastadora: 69% dos elefantes vivem em condições ruins. Acorrentados por correntes curtas. Mal alimentados. Isolados socialmente. Forçados a interagir com turistas contra sua natureza.

Principais descobertas: 

  • 69% dos elefantes (1.956 animais) vivem em cativeiros com condições ruins
  • 54% sofrem em "experiências de banho" disfarçadas de éticas
  • Apenas 7,3% vivem em locais verdadeiramente observacionais
  • 226 filhotes documentados = indústria continua reproduzindo para lucrar
  • Aumento de 73% no número total de elefantes em cativeiro desde 2010

Os números que ninguém quer ver

Nossa equipe, liderada pelo renomado veterinário especialista em vida selvagem Dr. Jan Schmidt-Burbach, visitou cada um dos 236 locais de turismo com elefantes pessoalmente. Usamos metodologia científica revisada por pares e publicada em revistas internacionais como Frontiers e PLOS One, avaliando nove critérios rigorosos de bem-estar animal.

O que encontramos nos cativeiros:

Condições de vida:

  • 69% dos elefantes (1.956 animais) vivem em estabelecimentos com nota 5 ou menos de 10
  • 26% (745 elefantes) em condições medianas (nota 6-8)
  • Apenas 5% (148 elefantes) em condições ideais (nota 9-10)

 Movimento e liberdade:

  • Mais da metade permanece acorrentada durante o dia com correntes curtas
  • 3 em cada 4 elefantes não conseguem socializar naturalmente com outros elefantes
  • Apenas 25% podem interagir livremente com seus pares quando não estão acorrentados

 Infraestrutura:

  • 22% dos cativeiros mantêm elefantes em pisos de concreto ou cascalho, prejudicando gravemente suas patas e articulações
  • Níveis de ruído durante shows chegam a 99 decibéis – equivalente a barulho de fábrica

 Reprodução forçada:

  • 226 filhotes com menos de 5 anos foram documentados
  • Evidência direta de reprodução contínua alimentando a indústria
  • Filhotes são separados das mães para treinamento cruel

"Em números absolutos, hoje mais elefantes sofrem do que há 15 anos, mesmo com algumas melhorias proporcionais", explica Dr. Jan. "E não queremos dar a impressão de que o terço dos elefantes em locais com notas mais altas vive em condições perfeitas. O cativeiro não é adequado para elefantes, mesmo nos lugares mais éticos as condições não são ideais."

A nova máscara da exploração: como "santuários" escondem crueldade


Entre 2010 e 2024, o número de elefantes usados para montaria caiu proporcionalmente de 92% para 43%. Parece progresso, certo? Errado.

O número total de elefantes em cativeiro aumentou 73% no mesmo período. Isso significa que, na prática, apenas 20% menos elefantes são montados hoje, uma redução de 1.519 para 1.217 animais. E enquanto as montarias e shows diminuem, uma nova forma de exploração explodiu:

54% dos elefantes agora sofrem em "experiências de banho e cuidado"

São aquelas fotos fofas do Instagram onde você lava, alimenta e abraça o animal. Lugares que se promovem como:

  • "Santuário ético de elefantes"
  • "Centro de resgate e reabilitação"
  • "Experiência consciente com animais"
  • "Refúgio sem montaria"

A realidade por trás do banho:

  • Elefantes não precisam que humanos os lavem. Na natureza, eles se banham sozinhos em rios e lama.
  • Elefantes evitam pessoas desconhecidas. É instinto de sobrevivência.
  • Nesses lugares, eles não têm escolha. Punição, controle por comida e treinamento cruel forçam os animais a tolerarem o contato.

Os perigos escondidos:

Elefantes machucam visitantes com frequência – por acidente ou porque sua paciência foi levada ao limite. Incidentes fatais acontecem regularmente mas são abafados pela indústria.

Quando isso acontece:

  • Os elefantes são severamente punidos
  • Os mahouts (tratadores) viram bodes expiatórios
  • Ações legais são movidas contra eles por "não controlar suficientemente" o animal
  • O estabelecimento continua operando normalmente

Shows: crueldade explícita que ainda persiste


Apesar da queda, shows de elefantes continuam populares. 21% dos elefantes ainda são forçados a performar. Elefantes jogando futebol, pintando quadros, fazendo malabarismos, nada disso é natural. Medo da dor, controle violento e suborno são usados para forçá-los a obedecer.

O Nong Nooch Tropical Garden, perto de Pattaya, exemplifica o extremo: construiu um estádio para 2.000 pessoas onde realiza quatro shows diários com até duas dúzias de elefantes forçados a participar.

Estabelecimentos que oferecem shows alcançaram as piores notas de bem-estar em nossa avaliação: média de 3,0 de 10.

A história de Mali: 12 anos carregando turistas

Mali tinha 3 anos quando foi separada da mãe. Durante seis meses, foi submetida ao phajaan ("quebrar o espírito") – método brutal de treinamento onde filhotes são:

  • Confinados em gaiolas tão estreitas que não conseguem se mover
  • Privados de comida e água por dias
  • Golpeados repetidamente com ganchos de metal
  • Isolados completamente de outros elefantes
  • Treinados até que sua vontade seja completamente quebrada

Aos 15 anos, Mali já havia carregado mais de 50 mil turistas nas costas. Cada dia, de 8h às 18h, grupos de 2-3 pessoas subiam e desciam de seu lombo enquanto ela caminhava em círculos pela mesma trilha.

Às 18h, quando o último grupo ia embora, Mali era acorrentada por corrente de 3 metros em piso de concreto. Sozinha. A manada que ela nunca teve ficava a 50 metros de distância, podia ouvi-los, cheirá-los, mas nunca tocá-los.

Sua alimentação: a mesma ração todos os dias. Na natureza, elefantes se alimentam de mais de 100 espécies diferentes de plantas. Mali conhecia três.

Hoje, Mali vive em um dos 13 refúgios reconhecidos pela Proteção Animal Mundial.

O problema brasileiro: suas férias podem estar financiando tortura


A cada ano, milhares de brasileiros viajam para o Sudeste Asiático. Tailândia, especialmente, tornou-se destino dos sonhos para nossa classe média. E muitos voltam com fotos "inesquecíveis" lavando elefantes, sem saber que financiaram décadas de sofrimento.

Como a indústria engana turistas brasileiros:

 Marketing enganoso em português:

  • "Santuário ético certificado"
  • "Experiência de resgate consciente"
  • "Ajude a cuidar de elefantes resgatados"
  • "Sem montaria = sem crueldade" (MENTIRA)

Agências brasileiras que ainda lucram:

Plataformas de reserva online e operadoras de turismo brasileiras continuam vendendo pacotes com:

  • "Experiência de cuidador por um dia"
  • "Banho e alimentação de elefantes"
  • "Selfie com elefantes"
  • "Passeio de elefante light" (como se existisse exploração leve)

"A indústria de viagens é um elo crítico entre viajantes e cativeiros de elefantes. Cada experiência oferecida e cada local promovido influencia diretamente se os elefantes são explorados ou protegidos", denuncia Chokdee Smithkittipol, co-autor do relatório e ativista da nossa equipe na Tailândia.

Por que brasileiros caem nessa?

  1. Desinformação: Maioria não sabe que elefantes não precisam de banho humano
  2. Apelo emocional: Fotos fofas no Instagram criam desejo de "conexão"
  3. Confiança em agências: "Se está no pacote, deve ser ético"
  4. Preço: Experiências de banho custam menos que safáris verdadeiramente éticos

Os 13 lugares verdadeiramente éticos (e como identificá-los)

Há um raio de luz nos dados: experiências puramente observacionais estão crescendo. Em 2010, apenas 4,6% dos elefantes (75 animais) viviam em locais de observação. Em 2024, esse número triplicou para 7,3% (207 elefantes). E esses lugares alcançam as maiores notas de bem-estar em nossa pesquisa: média de 8,5 de 10.

O que torna um lugar verdadeiramente ético:

A Proteção Animal Mundial trabalha desde 2017 na Tailândia apoiando estabelecimentos a fazerem a transição para ambientes de alto bem-estar. Até agora, 13 lugares completaram a mudança, tornando-se exemplos para outros.

Características dos refúgios autênticos:

Sobre os elefantes:

  • Vivem em manadas naturais com interação social constante
  • Têm liberdade de movimento em grandes áreas (mínimo 1 hectare por elefante)
  • Não são reproduzidos – recursos preservados para animais já no sistema
  • Acesso autônomo a água, lama e areia para banho próprio
  • Dieta variada com dezenas de espécies de plantas
  • Cuidados veterinários preventivos regulares

Sobre as experiências oferecidas:

  • APENAS observação – sem contato direto
  • Plataformas elevadas ou barreiras seguras
  • Grupos pequenos (máximo 15 pessoas)
  • Horários limitados para não estressar animais
  • Educação sobre comportamento natural de elefantes

Sobre o manejo:

  • Mahouts treinados em manejo humanitário (sem ganchos, sem violência)
  • Elefantes não são acorrentados durante o dia
  • À noite, áreas cercadas amplas ou correntes longas (mínimo 10m) que permitem movimento e socialização
  • Transparência total sobre práticas de cuidado

"Em locais de observação verdadeiramente de alta qualidade, os elefantes são encorajados e capacitados a maximizar seu ambiente autonomamente, explorar e forragear. Eles também têm oportunidades de socializar com outros elefantes, e seus mahouts são treinados para manejar elefantes de forma humana", explica Dr. Jan.

A lista oficial de refúgios reconhecidos:

A Proteção Animal Mundial mantém uma  lista atualizada de locais que seguem nossas diretrizes rigorosas. Esses lugares:

  • Alcançaram nota 9 ou 10 em nossa avaliação
  • Oferecem apenas experiências observacionais
  • Não reproduzem elefantes
  • Preservam recursos para elefantes já presos na indústria

Alguns incluem formas muito limitadas de contato direto, como alimentação manual de elefantes que circulam livremente, atrás de barreiras de proteção. Esses foram incluídos porque fornecem as melhores condições gerais possíveis para seus elefantes em todas as outras áreas-chave.

O que você pode fazer agora: ações concretas para proteger elefantes

Suas escolhas importam. Quando você recusa experiências exploradoras, você reduz a demanda. Quando você escolhe locais éticos, você recompensa boas práticas. Quando 

1. Se você vai viajar para Tailândia ou Sudeste Asiático:

Antes da viagem:

  • Consulte nossa lista de refúgios éticos reconhecidos
  • Pergunte à sua agência sobre políticas de bem-estar animal
  • Pesquise avaliações em sites de viagem (procure menções a correntes, truques, contato forçado)
  • Entre em contato direto com o local e faça as perguntas da checklist acima

Durante a viagem:

  • Escolha apenas locais de observação da nossa lista
  • Recuse qualquer atividade com contato direto – e explique por quê aos vendedores
  • Se presenciar maus-tratos, documente com fotos/vídeos (de forma segura)

 2. Se você já viajou e participou de experiências exploradoras:

Não se culpe, afinal você não sabia. Mas agora sabe. Use isso:

  • Revise suas escolhas passadas com honestidade
  • Compartilhe o que aprendeu: "Eu não sabia, mas agora sei. Aqui está o que mudou minha visão..."
  • Eduque amigos e família que planejam viajar
  • Considere apoiar organizações que trabalham pelo fim da exploração

3. Pressione mudanças na indústria de turismo brasileira:

Agências e operadoras:

  • Cobre transparência: Envie e-mail para agências perguntando sobre políticas de bem-estar animal
  • Denuncie marketing enganoso: Se uma agência vende "santuário ético" com banho de elefantes, deixe comentários em plataformas especializadas.
  • Recompense empresas éticas: Elogie publicamente e contrate apenas operadoras com políticas wildlife-friendly

Plataformas online:

  • Reporte anúncios de experiências exploradoras em TripAdvisor, Booking, GetYourGuide
  • Deixe avaliações honestas alertando outros viajantes
  • Compartilhe a lista de locais éticos nos comentários

 4. Apoie o trabalho contínuo de proteção:

A Proteção Animal Mundial é a única organização que monitora sistematicamente essa indústria há 15 anos.

Nosso trabalho já resultou em:

  • Mais de 200 empresas de viagem adotando políticas wildlife-friendly globalmente
  • 13 estabelecimentos fazendo transição completa para modelo ético
  • Rede de 15 refúgios compartilhando melhores práticas desde 2023
  • Pressão contínua no governo tailandês por reforma legal

Como você pode apoiar:

Por que isso importa: o contexto legal e político

A estrutura legal da Tailândia sobre elefantes em cativeiro permanece desatualizada e fragmentada desde 1939. O problema legal:

Elefantes selvagens: Estritamente protegidos por lei
Elefantes em cativeiro: Classificados como gado (livestock)

Esse sistema dual cria brechas que:

  • Permitem reprodução comercial descontrolada
  • Deixam elefantes cativos sem proteções básicas de bem-estar
  • Facilitam comércio ilegal entre cativeiro e vida selvagem
  • Impedem fiscalização efetiva

O que estamos pressionando:

Nossa equipe na Tailândia, liderada por Chokdee Smithkittipol, trabalha diariamente por:

  1. Reforma legal específica para elefantes:
  • Estrutura jurídica moderna com padrões rigorosos de bem-estar
  • Reclassificação de elefantes cativos (não mais "gado")
  • Proteções comparáveis às de elefantes selvagens
  1. Fim da reprodução comercial:
  • Proibição de criação de elefantes para turismo
  • Garantia de que esta é a última geração explorada
  • Transição gradual para observação apenas
  1. Eliminação de práticas cruéis:
  • Banimento legal de montaria e shows
  • Fim do uso de ganchos e ferramentas de controle
  • Padrões mínimos de espaço e socialização
  1. Apoio à transição:
  • Incentivos governamentais para estabelecimentos mudarem para modelo ético
  • Suporte técnico e financeiro da indústria de turismo
  • Marketing de locais verdadeiramente éticos pela autoridade de turismo tailandesa
  1. Fortalecimento da Rede de Estabelecimentos Éticos:

Em 2023, estabelecemos a Elephant Venues Network, uma rede de 15 refúgios éticos que:

  • Compartilha conhecimento, habilidades e experiências
  • Desenvolve modelos de negócio sustentáveis e éticos
  • Inspira outros estabelecimentos a fazer a transição
  • Demonstra que ética e viabilidade financeira são compatíveis

"A Tailândia precisa de uma estrutura legal forte e padrões de bem-estar que protejam nossos elefantes, o símbolo nacional do país, da exploração comercial. A reprodução comercial de elefantes em cativeiro deve acabar. E estamos pressionando pela eliminação gradual de atividades turísticas envolvendo práticas desumanas como shows ou montaria", explica Chokdee.

Nossa metodologia: por que esses dados são confiáveis

Este não é um relatório baseado em opiniões ou evidências anedóticas. Nossa metodologia é científica, revisada por pares e publicada em revistas internacionais.

Como conduzimos a pesquisa:

 Visitas presenciais a TODOS os 236 estabelecimentos

  • Nenhum dado baseado em informação de terceiros
  • Pesquisadores treinados em metodologia padronizada
  • Muitos locais visitados múltiplas vezes para consistência

Documentação visual completa

  • Milhares de fotografias e vídeos
  • Evidências de acorrentamento, espaços, alimentação, comportamento
  • Registro de rotinas diárias completas

Nove critérios rigorosos de bem-estar:

  1. Liberdade de movimento
  2. Oportunidades de socialização com outros elefantes
  3. Qualidade do ambiente (vegetação, substrato, abrigo)
  4. Dieta (variedade e adequação)
  5. Higiene e acesso à água
  6. Interações com visitantes
  7. Práticas de manejo (uso de ferramentas de controle)
  8. Cuidados veterinários
  9. Comportamentos naturais observados

 Sistema de pontuação objetivo:

  • Cada estabelecimento recebe nota de 0-10
  • Baseado em critérios mensuráveis, não impressões subjetivas
  • Notas revisadas por múltiplos pesquisadores para consistência

Publicações científicas que validam nosso trabalho:

 Frontiers in Conservation Science (2023)"Giants in tourism: captive conditions, industry trends, and animal welfare implications for Asian elephants in tourism from 2014 to 2020"

 PLOS One (2019)"Asian Elephant (Elephas maximus), Pig-Tailed Macaque (Macaca nemestrina) and Tiger (Panthera tigris) Populations at Tourism Venues in Thailand and Aspects of Their Welfare"

Essas publicações em revistas revisadas por pares demonstram que nosso trabalho atende aos mais altos padrões científicos internacionais.

Perguntas Frequentes sobre turismo com elefantes

1. É ético dar banho em elefantes?

Não. Elefantes não precisam que humanos os lavem. Se eles têm acesso livre a água, lama e areia, eles se banham sozinhos. Experiências de banho exigem treinamento cruel para forçar elefantes a tolerarem contato com estranhos, algo que eles naturalmente evitam. Mesmo em locais que se dizem "santuários éticos", 54% dos elefantes vivem em condições ruins.

2. Todos os santuários de elefantes são éticos?

Não. Muitos estabelecimentos se promovem como "santuários", "centros de resgate" ou "refúgios éticos" mas ainda submetem elefantes a acorrentamento, isolamento social, treinamento cruel e contato forçado com turistas. Um lugar se chamar "santuário" não significa nada. Sempre avalie pelas práticas oferecidas, não pelo nome.

3. Como identificar um local verdadeiramente ético?

Locais éticos oferecem apenas observação sem contato direto, mantêm elefantes em manadas com espaços amplos (mínimo 1 hectare por animal), não reproduzem elefantes, e têm transparência total sobre origem dos animais e práticas de manejo. A Proteção Animal Mundial mantém uma lista atualizada de apenas 13 estabelecimentos na Tailândia que atendem esses critérios.

Acesse a lista oficial de refúgios éticos

4. Passeio de elefante machuca o animal?

Sim. Além do peso (2-3 pessoas + equipamento = 200-300kg nas costas), montaria exige treinamento violento desde filhote (método phajaan), uso de ganchos para controle, e causa danos físicos à coluna. Elefantes usados para montaria também vivem acorrentados, isolados e com alimentação inadequada. Nossa pesquisa mostra que estabelecimentos que oferecem montaria alcançaram as piores notas de bem-estar: média 3,3 de 10.

5. Quantos elefantes sofrem em turismo na Tailândia?

1.956 elefantes (69% do total) vivem em condições ruins em 236 estabelecimentos turísticos. O número total de elefantes em cativeiro aumentou 73% desde 2010, chegando a 2.849 animais em 2024. Isso significa que hoje mais elefantes sofrem em números absolutos do que há 15 anos, apesar de algumas melhorias proporcionais.

Baixe o relatório completo com todos os números

6. O que significa "elephant-friendly venue"?

São estabelecimentos reconhecidos pela Proteção Animal Mundial que: (1) oferecem apenas experiências observacionais sem contato direto, (2) mantêm elefantes em condições de alto bem-estar com liberdade de movimento e socialização, (3) não reproduzem elefantes, e (4) alcançaram nota 9 ou 10 em nossa avaliação científica de 9 critérios. Apenas 13 locais na Tailândia atendem esses padrões.

Conheça os 13 refúgios reconhecidos

7. Posso visitar elefantes de forma ética?

Sim. Escolha locais que ofereçam apenas observação à distância, onde elefantes vivem em manadas com espaços amplos, têm liberdade de movimento, e não são forçados a interagir com humanos. Nossa lista de refúgios éticos inclui estabelecimentos onde você pode observar comportamentos naturais de elefantes em ambientes de alto bem-estar,  uma experiência muito mais significativa do que contato forçado.

8. Ajudar a alimentar elefantes é problema?

Depende. Alimentação manual com contato direto (sem barreiras) exige controle sobre os elefantes e reforça dependência humana. Alguns refúgios éticos permitem a alimentação de elefantes que circulam livremente, de trás de barreiras de proteção, como forma limitada de enriquecimento. Esses foram incluídos em nossa lista porque oferecem excelentes condições em todas as outras áreas. Mas a melhor opção é sempre observação pura sem nenhum contato.

A escolha é sua e ela importa

A cada foto fofa no Instagram, há um elefante que foi separado da mãe ainda filhote, treinado com violência extrema e vive décadas acorrentado. A cada "experiência inesquecível", há gerações de sofrimento invisível. A cada vez que você paga por essas atividades, você financia a reprodução de mais elefantes para o mesmo destino.

Mas suas escolhas também podem ser parte da solução.

Porque dados mudam políticas. E políticas salvam vidas.

A Proteção Animal Mundial trabalha há mais de 70 anos movendo o mundo para proteger animais. Presente em mais de 50 países, somos referência global em bem-estar animal e a única organização com 15 anos de monitoramento sistemático da indústria de turismo com elefantes na Tailândia.

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