Brasil recebe primeira Área de Patrimônio da Vida Selvagem terrestre do mundo
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Por Felipe Paludetto
Reconhecimento internacional foi concedido ao Parque Ecológico Mico-Leão-Dourado por seu trabalho de conservação da fauna, educação ambiental e turismo responsável.
O Brasil passou a abrigar a primeira Área de Patrimônio da Vida Selvagem terrestre do mundo. O reconhecimento internacional foi concedido ao Parque Ecológico Mico-Leão-Dourado, em Silva Jardim, no Rio de Janeiro, em reconhecimento ao trabalho de conservação da espécie, proteção da Mata Atlântica e promoção da observação responsável da vida silvestre.
O anúncio oficial aconteceu em 1º de agosto, véspera do Dia do Mico-Leão-Dourado. A iniciativa integra o programa Wildlife Heritage Areas, que reconhece destinos onde a conservação da fauna, o bem-estar dos animais, a participação das comunidades e o turismo responsável estão conectados.
Conservação e turismo responsável
Uma Área de Patrimônio da Vida Selvagem estabelece princípios para que a observação de animais aconteça sem interferir em seu comportamento natural. Entre eles estão a prevenção de situações que causem estresse ou exploração dos animais e o incentivo a experiências que contribuam para a conservação e gerem benefícios econômicos e sociais para as comunidades locais.
No Parque Ecológico Mico-Leão-Dourado, esses princípios se relacionam diretamente à conservação do mico-leão-dourado e da Mata Atlântica. O espaço reúne trilhas, mirantes, atividades de educação ambiental e experiências de observação da natureza. A Associação Mico-Leão-Dourado também realiza atividades de observação dos micos em vida livre seguindo protocolos para reduzir riscos aos animais.
“O programa Área de Patrimônio da Vida Selvagem reconhece territórios onde a proteção da fauna silvestre, o bem-estar animal e o turismo responsável caminham juntos. Hoje, as áreas já designadas contribuem para a conservação de mais de 40 espécies, das quais cerca de 14 estão classificadas pela Lista Vermelha da IUCN como ameaçadas. Com a primeira designação terrestre do mundo, mostramos que esse modelo também pode fortalecer a conservação de biomas e ecossistemas essenciais para a biodiversidade global”, afirma Rodrigo Gerhardt, gerente de Vida Silvestre da Proteção Animal Mundial.
Um reconhecimento para o mico-leão-dourado

Foto: Luiz Thiago de Jesus.
A nova designação também reforça a importância de proteger o mico-leão-dourado, espécie endêmica da Mata Atlântica do estado do Rio de Janeiro e classificada como ameaçada de extinção. A espécie enfrentou um forte declínio populacional ao longo do século XX, principalmente em razão da perda e fragmentação de seu habitat.
O cenário começou a mudar com décadas de esforços de conservação, incluindo restauração florestal, criação de áreas protegidas, formação de corredores ecológicos e reintrodução de animais. Segundo o censo mais recente da Associação Mico-Leão-Dourado, divulgado em 2023, a população estimada na natureza chegou a cerca de 4.800 indivíduos.
Para Luís Paulo Ferraz, secretário-executivo da Associação Mico-Leão-Dourado (AMLD), o reconhecimento valoriza o trabalho desenvolvido para aproximar as pessoas da conservação.
“É um reconhecimento à nossa promoção da observação de fauna com viés educativo e de engajamento social para a conservação, com todos os cuidados e preocupações necessários para promover o bem-estar animal e evitar qualquer tipo de risco à biodiversidade”, afirma.
“O Parque do Mico é um espaço de lazer associado a uma história de conservação, que permite ao público conhecer e vivenciar um pouco do ambiente da Mata Atlântica e da vida da fauna que habita nossas florestas”, completa Ferraz.
Observação da vida selvagem que contribui para a conservação
O Parque Ecológico Mico-Leão-Dourado foi criado para aproximar o público das iniciativas de conservação da espécie e da Mata Atlântica. O local conta com trilhas, exposição permanente, atividades de educação ambiental e espaços voltados à contemplação da natureza. Parte dos recursos arrecadados com a visitação é reinvestida no programa de conservação do mico-leão-dourado.
O parque também abriga uma Reserva Particular do Patrimônio Natural (RPPN) de 151 hectares, reconhecida pelo ICMBio em 2024. A área tem papel estratégico na conexão do habitat do mico-leão-dourado com a Reserva Biológica de Poço das Antas, inclusive por meio de um viaduto vegetado que permite a travessia segura dos animais sobre a BR-101.
A expectativa é que o reconhecimento internacional aumente o interesse de visitantes brasileiros e estrangeiros pelo Parque Ecológico Mico-Leão-Dourado e fortaleça um modelo de turismo que contribua diretamente para a conservação da fauna e para o desenvolvimento das comunidades locais.
Com a nova designação, o Parque Ecológico Mico-Leão-Dourado passa a integrar a rede internacional de Áreas de Patrimônio da Vida Selvagem, que reúne destinos comprometidos com a proteção da fauna, a conservação de habitats e experiências responsáveis de observação da vida silvestre.