Proteção Animal Mundial contribui com consulta pública sobre revisão da Política Nacional sobre Mudança do Clima

Proteção Animal Mundial contribui para revisão da Política Nacional sobre Mudança do Clima em consulta pública

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A Organização reforça a importância da participação da sociedade civil nas decisões públicas e destaca a integração entre clima, biodiversidade, sistemas alimentares e proteção animal

A participação da sociedade civil é um dos pilares para a construção de políticas públicas mais eficazes, democráticas e alinhadas aos desafios do nosso tempo. Foi com esse compromisso que a Proteção Animal Mundial contribuiu com a Consulta Pública sobre o anteprojeto de Lei de revisão da Política Nacional sobre Mudança do Clima (PNMC), conduzida pela Secretaria Nacional de Mudança do Clima, do Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima.

A PNMC é como se fosse um “manual” que organiza tudo o que o país precisa fazer para enfrentar as mudanças climáticas: as regras gerais, como princípios e orientações, mostrando o caminho a seguir;  a definição de quem faz o quê, ou seja, as responsabilidades do governo, estados e municípios, empresas e sociedade civil; os instrumentos ou as ferramentas para colocar a política em prática.

Ao longo de 2025, a Proteção Animal Mundial participou ativamente de diferentes processos de consultas públicas, reforçando a importância de que decisões estruturantes, tal como a política climática nacional, contem com a escuta qualificada de organizações da sociedade civil, especialistas e comunidades diretamente impactadas. Esse engajamento fortalece a transparência, amplia a legitimidade das políticas e contribui para soluções mais integradas e eficazes.

Na contribuição apresentada à PNMC, a organização reconheceu atualizações relevantes do texto, afinal, passaram-se quinze anos desde a sua criação (Lei nº 12.187/2009). Houve avanços especialmente nos conceitos de justiça climática, de urgência climática e de transição justa. Também houve importantes avanços para o Brasil estar alinhado aos compromissos internacionais assumidos no âmbito do Acordo de Paris e de outras convenções ambientais multilaterais.

Ao mesmo tempo, a Proteção Animal Mundial destacou a necessidade de aprofundar a integração entre clima, biodiversidade e proteção animal. A organização ressaltou que a crise climática e a crise da biodiversidade são indissociáveis e que os animais, silvestres, domésticos e de produção, são tanto vítimas diretas dos impactos climáticos quanto agentes essenciais para a resiliência dos ecossistemas.

Entre os pontos centrais da contribuição está a avaliação de que, embora o anteprojeto reconheça a importância da biodiversidade de forma geral, a fauna ainda aparece de maneira indireta, sem o devido reconhecimento explícito de seu papel nos serviços ecossistêmicos fundamentais para a mitigação e a adaptação climática, como a dispersão de sementes, a polinização, a regulação trófica e a manutenção de sumidouros naturais de carbono.

A organização também alertou para os impactos já observáveis da mudança do clima sobre os animais no Brasil, como mortalidade massiva de fauna em eventos extremos, perda e colapso de habitats, deslocamentos forçados, aumento do risco de zoonoses e agravamento de situações de abandono e sofrimento animal em contextos de desastres climáticos. 

Esses efeitos, além de afetarem diretamente os animais, geram repercussões sobre a saúde humana, a segurança alimentar e a estabilidade dos ecossistemas, reforçando a importância da abordagem de Saúde Única no desenho da política climática.

Outro eixo destacado foi o dos sistemas alimentares. A Proteção Animal Mundial apontou que a revisão da PNMC representa uma oportunidade estratégica para avançar na integração entre clima, agricultura e bem-estar animal, reconhecendo o papel da pecuária industrial nas emissões de gases de efeito estufa, especialmente o metano, e incentivando a transição para sistemas produtivos sustentáveis, de baixa emissão e baseados em práticas agroecológicas.

Com essa contribuição, a Proteção Animal Mundial busca fortalecer a coerência e a efetividade da Política Nacional sobre Mudança do Clima, assegurando que ela reflita a melhor ciência disponível, os compromissos internacionais assumidos pelo Brasil e a interdependência entre clima, biodiversidade, sistemas alimentares e proteção animal.

A organização reafirma sua disposição para o diálogo técnico e institucional e reforça que a participação ativa da sociedade civil em consultas públicas é fundamental para construir políticas climáticas mais justas, integradas e capazes de responder aos desafios presentes e futuros.

Foto: CBMGO

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