Estande do Instituto Oceanográfico da USP, na Feira de Ideias, em São Paulo

De esfregão a shorts de banho: feira traz soluções para retirar plástico e redes de pesca dos oceanos

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Diversas soluções para o lixo nos mares foram apresentadas na Feira de Ideias, iniciativa da ONG Proteção Animal Mundial com a ONU Meio Ambiente

Não faltaram destaques no nosso evento Oceano Plástico: como escapar desse emaranhado?: novos dados sobre pesca fantasma no Brasil foram divulgados, o Instituto Baleia Jubarte se uniu à nossa Iniciativa Global de Combate à Pesca Fantasma e palestrantes falaram sobre lixo plástico e materiais de pesca que prejudicam o bem-estar dos animais.

O evento foi promovido pela Proteção Animal Mundial, em parceria com a ONU Meio Ambiente, na sexta-feira (7), em São Paulo.

Além de todos esses destaques, também foi realizada uma Feira de Ideias – em que expositores mostraram soluções inovadoras e práticas para transformar em oportunidades de mercado esses resíduos mal descartados.

As redes de pesca, por exemplo, podem servir de esfregão ou até como acessório de moda, em vez de matar e ferir animais marinhos ao longo dos séculos – o material das redes pode levar até 600 anos para se decompor. Resíduos plásticos retirados dos mares têm potencial para serem transformados em porta-copos, molduras e até shorts de banho. São muitas possibilidades.

Conheça abaixo algumas soluções apresentadas na feira:

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Esfregão de limpeza feito de rede de pesca

O uso alternativo dessas redes foi pensado pela Positiv.a, que produz produtos de limpeza naturais, biodegradáveis e pet friendly, baseados nos princípios da economia circular, bem como no apoio à agricultura familiar. O esfregão ecológico é feito com petrechos de pesca fantasma encontrados nas praias de Santa Catarina ou coletados de pescadores locais. No oceano, a durabilidade do material é nociva, mas como acessório de limpeza essa resistência é útil. E por isso, o esfregão serve até para fazer faxina pesada!

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Porta-copos, molduras, caixas e rodapés

O Instituto Oceanográfico da USP (Universidade de São Paulo) montou um estande voltado para a educação ambiental e o impacto do lixo marinho – seja na saúde humana, seja no bem-estar dos animais. Além das informações visuais em fotos e objetos retirados do oceano, foram propostas algumas soluções para esses remanescentes.

Molduras e rodapés podem ser feitos de isopor reciclado, enquanto milhares de fragmentos de cartões de créditos, juntos, viram porta-copos e capa de bloco de notas. Caixas organizadoras podem ser produzidas a partir de plástico reciclado, que antes estava poluindo as águas.

"Esses fragmentos são retirados do ambiente marinho e transformados em objetos do nosso cotidiano. A gente quer mostrar que tem todo um problema de gestão de resíduos sólidos, de educação e de conscientização ambiental", explica Marilia Nagata, mestre em Oceanografia pelo Instituto Oceanográfico da USP.

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Copo durável para substituir os descartáveis

Quantos copinhos usados apenas uma vez (e logo jogados fora) poderiam ser economizados se usássemos o mesmo copo várias vezes? Milhares. Centenas de milhares. A Meu Copo Eco tem esse objetivo: poupar o meio ambiente do excesso plástico desnecessário e mudar a nossa cultura de consumo. Neste encontro, por exemplo, os copos poderiam ser comprados ou devolvidos no final, como estratégia para evitar os famosos descartáveis que marcam presença nos eventos. Enquanto produto, vale ressaltar que ele é 100% reciclável e pode ir no freezer e no microondas.

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Canudos de vidro: mais ecológicos

Na mesma lógica do plástico de uso único em copos, os canudinhos são tão dispensáveis quanto. Os feitos de vidro são duráveis, reutilizáveis e recicláveis, além de serem higiênicos, porque restos de alimentos não grudam nele. Além dos canudinhos ecológicos expostos na feira, a Mentah! também vende um exemplar mais grosso, ideal para milkshakes e suco de açaí, por exemplo, e todos os canudos são envoltos em uma capinha protetora feita de tecido de reaproveitamento.

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Véu de noiva direto do mar

O Senac Alagoas trouxe um de seus projetos do curso de modelista: peças de roupas e acessórios produzidos a partir de redes de pesca reaproveitadas. "Muitos pescadores armazenam as redes na areia. Mas se a maré encher, elas vão para o oceano. Eles ainda não têm essa consciência de que precisa tirar a rede da praia", observa Munike Israel, coordenadora dos cursos de Moda. Pensando nisso, o projeto se apoderou desses petrechos que seriam descartados e criou, entre outros, um chapéu e uma grinalda de vestido de noiva.

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Camisetas, mochilas e shorts de banho

Lonas, redes e garrafas PET que estavam à deriva, ameaçando a fauna dos mares, podem ter utilidade: ser matéria-prima para camisetas, bolsas, mochilas e shorts de banho, por exemplo. É nessa linha que segue o Mar Limpo. O lixo é resgatado dos oceanos e ganha valor agregado, junto com uma destinação sustentável.

Redes de pesca podem levar até 600 anos para se decompor no mar