Monkey at cruel venue holding pink umbrella. Amy Jones / Moving Animals

Especialistas alertam líderes do G20 que o cruel comércio de animais silvestres não pode continuar

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Nosso novo relatório expõe pequenas falhas nas leis dos países do G20, permitindo a exploração cruel da vida selvagem e deixando o mundo vulnerável a futuras pandemias.

Crédito da imagem do cabeçalho: Amy Jones / Moving Animals

Todos os dias, milhares de animais selvagens são caçados ou reproduzidos em cativeiro para serem vendidos no comércio global de vários bilhões de dólares de animais silvestres. Os animais são comercializados como comida, animais de estimação, produtos de luxo, medicina tradicional e entretenimento.

Nosso novo relatório, "Protegendo o planeta de futuras pandemias", aponta que, além de cruel, este sistema está falhando ao permitir a transmissão de doenças zoonóticas. Isso porque existem ineficiências nos países do G20 que permitem a retirada de animais silvestres de seus habitats naturais para reproduzi-los em cativeiro e transformá-los em meras mercadorias. 

No relatório, revelamos como este comércio coloca em risco a saúde pública. Isso porque:

  • O principal órgão regulador deste comércio - a Convenção Internacional sobre o Comércio Internacional de Espécies Ameaçadas (CITES) - não tem foco na prevenção de doenças zoonóticas;
  • Há pouca ou nenhuma triagem de doenças de animais selvagens que são importados, permitindo o movimento não detectado de patógenos através das fronteiras globais;
  • O número de pessoas envolvidas na cadeia de abastecimento do comércio de animais silvestres favorece a transmissão de doenças infecciosas.

"As leis implementadas pelos países do G20 que têm como objetivo proteger a vida selvagem são ineficazes e, geralmente, causam mais danos do que benefícios", diz Kelly Dent, nossa diretora de engajamento externo.

"Os animais sofrem em todas as fases do comércio. Eles ficam extremamente angustiados quando são retirados de seus habitats e, em seguida, são empacotados vivos... Por isso, não é de se estranhar que muitos cheguem mortos ou doentes ao seu destino. Enquanto o foco mundial permanece na vacinação em massa, a prevenção de novos vírus não deve ser ignorada. Afinal, estima-se que mais de 320.000 vírus de mamíferos ainda não foram descobertos", complementa Kelly.

Aprendendo uns com os outros

Estamos pedindo exemplos em que as leis diferem entre os países do G20, permitindo brechas entre as fronteiras e demonstrando ainda mais a necessidade de se ter uma abordagem mais holística para acabar com o comércio de animais silvestres.

Na Austrália, por exemplo, a caça de canguru selvagem é comum e o comércio de carne de canguru envolve animais de origem selvagem. No entanto, na Índia, um dos países integrantes da cúpula do G20, todo tipo de caça comercial é proibida pela Lei de Proteção à Vida Selvagem (1972).

A reprodução e criação em cativeiro comercial de animais silvestres em vários países do G20 - incluindo Brasil, Canadá e África do Sul - é uma preocupação importante em termos de transmissão de doenças zoonóticas.

No relatório, também apresentamos legislações exemplares em países do G20 que podem servir como modelo para evitar mais impactos negativos.

Podemos fazer diferente

De acordo com o relatório, entre as ações que o G20 deve adotar para proteger a vida selvagem, as pessoas e o nosso planeta, estão:

  • Se comprometer coletivamente para banir o comércio global e entre países de animais selvagens e produtos derivados deles. Esse compromisso deveria reconhecer que o comércio de silvestres tem um impacto devastador no bem-estar animal, na biodiversidade e nos ecossistemas, além da economia, saúde e segurança;
  • Exigir que instituições e organizações globais adotem mecanismos para desevolver, facilitar, implementar e monitorar essa proibição;
  •  Reconhecer quais países integrantes da cúpula do G20 já implementaram a proibição nacional deste comércio e convocar os outros países a fazerem o mesmo;
  • Se comprometer com o aperfeiçoamento e o desenvolvimento da Saúde Única, Bem-Estar Único.

Leia o relatório completo

Enquanto o foco mundial permanece na vacinação em massa, a prevenção de novos vírus não deve ser ignorada. Afinal, estima-se que mais de 320.000 vírus de mamíferos ainda não foram descobertos.