Wild snake on branch

Falsos e cruéis de animais no YouTube

Nossa nova investigação expõe uma tendência chocante de uma nova mania no YouTube: o aumento de vídeos que abusam de animais para encenar resgates heroicos.

Nos vídeos, as imagens mostram sempre um animal, como um macaco, cachorro ou réptil, que banca o papel de presa indefesa, enquanto é atacado por um “terrível” predador, como uma cobra ou crocodilo. 

Os conteúdos incluem cenas como a de um macaco em pânico sendo preso, envolvido pelo abraço de uma píton-reticulada, e que tenta desesperadamente se libertar. É possível ouvir os gritos de medo do animal. Embora as "presas" sejam eventualmente "resgatadas", é visível que os animais estão estressados e traumatizados nestes resgates falsos - eles não deveriam estar em uma situação tão assustadora.

Essa crueldade é armada e infligida apenas para servir de entretenimento.

No total, encontramos mais de 180 vídeos diferentes publicados no YouTube entre outubro de 2018 e maio de 2021. Destes, 70 foram enviados apenas em 2021 - o que significa um aumento preocupante neste tipo de entretenimento cruel. Os 50 vídeos mais vistos concentram impressionantes 133,5 milhões de visualizações. 

No momento da publicação do relatório, alguns dos vídeos de resgates falsos de animais foram retirados em resposta à atenção da mídia sobre o assunto. No entanto, a grande maioria do conteúdo descrito ainda estava disponível publicamente. 

Compromisso público do YouTube 

Em 25 de março de 2021, o YouTube se comprometeu a tomar medidas em relação ao abuso de animais retratado em vídeos postados por usuários. Mas, desde esse comprometimento, vídeos de resgates falsos continuaram a ser enviados para a plataforma. Entre 26 de março de 2021 e 1º de junho de 2021, a Proteção Animal Mundial identificou 47 vídeos recém enviados em 15 canais diferentes. Na época dessa descoberta, os vídeos haviam recebido mais de 7 milhões de visualizações e 2,7 milhões de assinantes. 

Onde está o problema?

Os animais que aparecem em alguns desses resgates falsos incluem animais domésticos, como galinhas, patos, filhotes de cachorro e gatos, e vários predadores selvagens que são explorados para entretenimento e lucro.

Essa prática coloca os animais e as pessoas desnecessariamente em risco, além de causar extremo estresse aos animais. Um vídeo perturbador mostra um gibão-de-mãos-brancas em pânico tentando desesperadamente escapar de uma píton-reticulada. Já outro mostra uma gata tentando proteger seus filhotes de uma cobra constritora.

As filmagens mostram os predadores sendo mordidos, arranhados, bicados e feridos pelas "presas". Eles também são cutucados com gravetos, manuseados bruscamente e feridos por pessoas que se passam como os heróis da história.

Infelizmente, essas encenações provavelmente são repetidas várias vezes até conseguir as melhores imagens para alcançar mais visualizações e compartilhamentos nas redes sociais.

Independente de serem presas ou predadores, esses seres sencientes não são acessórios, brinquedos ou entretenimento para protagonizar vídeos chocantes no YouTube.

Ajude a acabar com isso


Estamos pedindo ao YouTube que cumpra sua promessa pública, feita em março de 2021, e aja rapidamente para revisar e remover os vídeos que retratam esse tipo de abuso horrível dos animais. 

Quanto mais tempo esse tipo de conteúdo fica online, mais pessoas visualizam e maior o risco de serem copiados para divulgação por outros meios. 

O YouTube deve assumir sua responsabilidade e compartilhar publicamente seus planos para evitar de forma proativa que esse tipo de conteúdo cruel seja enviado. 

 

Snake attacking cat

Não apoie visualizações que alimentam a crueldade

Leia o relatório (em inglês)

Como identificar um vídeo de resgate falso


Você pode começar ao não gerar visualizações para conteúdos que exploram os animais. Se não for possível perceber antecipadamente que o conteúdo forja um resgate de animais, alguns indícios para ficar atento e denunciar os vídeos são: 

  1. Procure por quaisquer sinais de lesão física, como cortes, feridas e asas cortadas, ou comportamentos que possam indicar que o animal está estressado ou com medo - pode ser a respiração ofegante ou uma postura encolhida, por exemplo. Isso é algo que pode ser observado tanto na presa quanto no predador antes do suposto ataque.
  2. Verifique se o predador ou a presa estão em locais que você normalmente não esperaria encontrar em circunstâncias normais, como uma espécie de floresta em um matagal aberto.
  3. Analise se os predadores ou as presas demonstram qualquer comportamento anormal durante o suposto ataque, como cobras enroladas livremente em torno da presa, ou os predadores respondendo de forma tímida, sem tentar escapar, quando o humano intervém.
  4. Ao encontrar vários vídeos postados em um mesmo canal, observe se parece que os mesmos animais e/ou locais estão sendo usados ​​repetidamente. Você pode ver isso às vezes procurando as mesmas marcas ou padrões nos animais ou uma mesma toca ou buraco no chão. 
  5. Observe se o "herói" humano responde de forma inadequada depois que o predador e a presa foram separados. Um exemplo poderia ser segurar de forma descuidada um animal em cada mão para depois reaproximá-los, ou então levar ambos embora - possivelmente carregando-os juntos ao invés de mantê-los a uma distância segura. 


Lançada em 2015, nossa campanha “Silvestres. Não entretenimento” está movendo a indústria do turismo com animais selvagens para longe da crueldade – como passeios de elefante e espetáculos – e na direção de experiências positivas com os animais silvestres, nas quais os turistas podem observar os animais na natureza ou em verdadeiros santuários. 

 

Youtube social media checklist

Diretrizes do YouTube

As diretrizes do YouTube listam explicitamente como proibido: "Conteúdo em que há inflição de sofrimento desnecessário ou dano, causando deliberadamente sofrimento animal" e "Conteúdo em que os animais são incentivados ou coagidos a lutar por humanos" - https://support.google.com/youtube/answer/2802008?hl=en&ref_topic=9282436