Chacina de 31 cães na Paraíba é cruel e um retrocesso para saúde pública

Publicado em 12 de março de 2018 por

Rosangela Ribeiro

O Brasil se chocou com as imagens de dezenas de animais de rua capturados, mortos e descartados em um lixão pela prefeitura de Igaracy, na Paraíba, na última semana

Segundo o secretário de saúde José Carlos Maia, responsável pela decisão, os mais de 30 cães foram sacrificados por estarem doentes e serem “violentos”. Em entrevista ao JPB, Maia depois admitiu que não haviam laudos veterinários.

Ele também alegou que a eutanásia foi realizada com sedação e anestesia geral num galpão da cidade, mas as paredes ensanguentadas contam uma história diferente. E ainda mais cruel: os animais podem ter sido mortos a pauladas.

Por recomendação do Ministério Público, o secretário foi exonerado do cargo na sexta-feira (9).

Uma medida ultrapassada e ineficaz

O caso demonstra um total despreparo das autoridades locais para lidar com o manejo populacional de cães.

Desde a década de 90, as principais organizações internacionais, como Organização Mundial de Saúde (OMS) e a Organização Mundial de Saúde Animal (OIE), já não recomendavam a captura de animais abandonados como forma de prevenção de zoonoses. A alternativa mais eficiente é o manejo humanitário e sustentável – através de programas integrados de castração, registro e educação da população sobre guarda responsável.

No Brasil, tanto a retirada arbitrária de animais das ruas, como a forma com que foram mortos em Igaracy, infringem a Lei Federal de Crimes Ambientais n. 9605 em seu artigo 32.

Desde a semana passada, a Proteção Animal Mundial está em contato com o Ministério Público de Piancó para exigir que os fatos sejam apurados e que os responsáveis sejam penalizados de acordo com a legislação. Também disponibilizamos o nosso Manual de Manejo Humanitário de Cães e Gatos, material produzido em conjunto com o Ministério Público de Minas Gerais para orientar municípios sobre as melhores práticas no manejo de animais de rua.

Brasil se uniu pelos animais

O caso de Igaracy se destaca pelo papel importante desempenhado pela população e pelas redes sociais.

A chacina foi denunciada pelos próprios moradores da cidade, que questionaram a decisão da prefeitura e rapidamente se mobilizaram em defesa dos cães. As manifestações na rua e os milhares de compartilhamentos na internet fizeram a polêmica ganhar repercussão nacional.

Isso mostra que a sociedade atual já não aceita esse tipo de crueldade.

Os animais não podem se defender sozinhos. Por isso, é emocionante ver a população brasileira se organizando para coibir, fiscalizar e punir atos como esse. Juntos, podemos mostrar aos gestores que os animais também merecem respeito, inclusive políticas públicas humanitárias e mais efetivas.

Esperamos justiça.

Mais artigos de:

Rosangela Ribeiro

Compartilhe

WhatsApp