descampado com varios bois brancos dentro de um cercado

JBS: crueldade animal, desmatamento e greenwashing

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A JBS lidera a produção de carne e os danos ao clima. Entenda os impactos da empresa e as ações da Proteção Animal Mundial para mudar essa realidade.

A Proteção Animal Mundial levou uma mensagem urgente ao coração financeiro de São Paulo às vésperas da Assembleia Geral Anual dos Acionistas (AGM) da JBS. Projeções de alto impacto na região da avenida Faria Lima expuseram os riscos éticos e climáticos da maior empresa de carne do mundo. A ação estratégica ocorre no momento em que a companhia celebra lucros e ignora os custos invisíveis da pecuária industrial para o planeta em 2026. 

A Assembleia Geral Anual da JBS é o marco onde se definem os rumos corporativos e o retorno financeiro dos investidores. Para a Proteção Animal Mundial, é também o momento de nomear o custo real desses lucros: 

  • Crueldade Animal: Confinamento extremo e práticas dolorosas em larga escala; 
  • Desmatamento na Amazônia:  Há denúncias de que cadeia produtiva está vinculada à destruição ilegal da floresta e ao agravamento da crise climática; 
  • Greenwashing: A JBS publica relatórios e adota políticas de redução de gases de efeito estufa, mas só na fachada. A realidade não se traduz em mudanças concretas em suas fábricas e frigoríficos; 
  • Evasão Fiscal e Riscos Financeiros: A JBS pode ter evitado o pagamento de centenas de milhares de dólares em impostos em diferentes países; 
  • Impacto Climático: Tanto o desmatamento para abrir novas área quanto a produção da pecuária em si são atividades que emitem quantidades enormes de gases de efeito estufa que agravam a crise climática. 

Clique aqui e veja o vídeo da nossa ação na Faria Lima, em São Paulo.

Ação na Faria Lima: O custo da JBS além dos dividendos 

A intervenção urbana na avenida Faria Lima trouxe o debate para o espaço público ao mostrar os riscos sistêmicos da JBS que impactam fornecedores, comunidades locais e o mercado global. “A JBS está arrasando: Os animais. O planeta. Nosso futuro", diz a frase projetada para expor denúncias de um modelo de negócio baseado em evasão fiscal e dano ambiental.  

O objetivo é revelar o custo oculto da expansão global da JBS e como seu modelo de negócio acelera o colapso climático, além de confrontar o marketing corporativo com os fatos da pecuária industrial.  

O império da carne: Marcas JBS (Friboi, Seara e Swift) e a escala global  

A multinacional brasileira é a maior empresa processadora de carne do mundo. Líder global em pecuária industrial, opera em 20 países com produtos distribuídos em mais de 100 nações. Com um faturamento anual de aproximadamente US$ 77 bilhões por ano, a companhia detém marcas onipresentes no dia a dia dos consumidores:  

  • No Brasil: Friboi e Seara são líderes de mercado. 
  • Nos Estados Unidos e na Europa: Marcas como Pilgrim's Pride, Swift e Moy Park dominam as prateleiras das maiores redes de supermercados. 

A Proteção Animal Mundial elegeu a JBS como o centro da nossa campanha global contra a pecuária industrial por um fato incontestável: nenhuma outra corporação impõe tanto sofrimento animal em tamanha escala. A empresa tem capacidade para abater mais de 13 milhões de frangos, 128 mil porcos e 77 mil bois por dia. 

A realidade nas fazendas: Por que a crueldade animal é o modelo de negócios da JBS 

Os danos causados pela JBS não são acidentais, são estruturais. O modelo de negócio trata seres vivos e sencientes como meras unidades de produção. Ignora o bem-estar animal em prol da escala industrial. Nas operações da empresa, a crueldade é a norma 

  • Frangos de crescimento rápido: Amontoados em espaços menores que as dimensões de uma folha de papel, as aves são criadas para crescer tão rapidamente que órgãos como coração e pulmões não conseguem acompanhar. Muitas colapsam sob o próprio peso antes de chegar ao abate. 
  • Confinamento de porcas matrizes: Fêmeas passam a vida presas em gaiolas de gestação tão estreitas que não conseguem sequer se virar, se deitar com conforto ou ter qualquer comportamento natural. Esse isolamento causa sofrimento físico e colapso psicológico, o que se manifesta em comportamentos repetitivos e compulsivos. As que sobrevivem até o abate chegam desnutridas, machucadas e aterrorizadas. Muitas são preparadas de forma inadequada e sentem dor nos minutos finais de vida. 
  • Manejo doloroso: Leitões têm as caudas cortadas e os dentes lixados sem analgésicos que impeçam a dor. A JB prioriza a velocidade da linha de produção sobre a senciência desses animais.

Relatório Crime-File 2025: Evidências de evasão fiscal e crimes corporativos

Um levantamento da Proteção Animal Mundial, divulgado no final do ano passado, identificou que a JBS voltou a comprar em 2024 gado de uma fazenda já denunciada por receber animais criados dentro do parque. A compra ocorreu mesmo após alertas públicos feitos por organizações como Greenpeace e Repórter Brasil. 

Entre 2018 e 2024, a JBS adquiriu pelo menos 6.790 cabeças de gado de fazendas que funcionam como intermediárias no esquema de triangulação. Só em 2024, foram 790 animais adquiridos da mesma fazenda denunciada anteriormente, chegando à unidade da empresa em Pontes e Lacerda (MT). Esse frigorífico está habilitado para exportar carne à União Europeia, China e Canadá. 

O uso de certificações para mascarar o sofrimento animal 

Mesmo com a publicação de relatórios de sustentabilidade, a JBS pratica o que se chama de humanewashing: publica relatórios e adota políticas de fachada que não se traduzem em mudanças concretas em suas fábricas e frigoríficos. As certificações existem. O sofrimento também.   

Nas instalações da Pilgrim's Pride, nos Estados Unidos, investigadores documentaram trabalhadores arremessando e chutando aves vivas. Em 2018 no Kentucky, imagens de um fornecedor da JBS mostraram trabalhadores chutando e socando porcos e porcas matrizes presas em gaiolas de gestação (as mesmas gaiolas que a empresa prometeu eliminar até 2016). A resposta da JBS nos dois casos foi a mesma: expressar preocupação, suspender o fornecedor e não mudar nada de forma sistêmica. 

JBS e o clima: Desmatamento na Amazônia e promessas de Greenwashing 

Só a produção global de porcos e frangos da JBS gera emissões equivalentes a 14 milhões de carros nas estradas todos os anos, mais que o dobro do segundo maior emissor do agronegócio industrial. Esse volume de emissões de carbono e metano coloca a companhia no centro da crise climática global. 

A empresa já foi multada por comprar gado de áreas com desmatamento ilegal na Amazônia e investigações realizadas até 2024 constatam que a prática continua. O Ibama documentou que duas plantas da JBS no Pará adquiriram 59 mil bovinos de fazendas que ficam localizadas em 507 quilômetros quadrados de floresta embargada.  

Por trás desses números há um mecanismo conhecido: a lavagem de grãos e o esquema de triangulação do gado, que permite que o desmatamento ilegal se transforme em produto exportável sem rastreabilidade. Esse processo não apenas destrói a floresta, mas altera o regime de chuvas, o que, junto da cadeia de fornecimento da empresa, impulsiona enchentes sem precedentes no Brasil. 

É um modelo que depende de escala. Metade das áreas habitáveis da Terra já é usada para agricultura, das quais 77% é dedicado à pecuária. Nesse contexto, a JBS atua como um dos principais motores de expansão. À medida em que cresce, aumenta também a pressão sobre terras, florestas e sistemas naturais, tornando um planeta habitável cada vez mais difícil de sustentar. 

Greenwashing corporativo e o processo por publicidade enganosa 

Mesmo com tudo isso, a JBS se apresenta como líder climática. Um exemplo claro de greenwashing corporativo é a promessa de "Net Zero até 2040". A empresa promoveu anúncios que afirmavam: "Bacon, asas de frango e bife com emissões zero. É possível." Não era possível e continua não sendo. A empresa nunca apresentou caminhos ou tecnologias viáveis para tornar essas afirmações reais.  

Em 2024, o Procurador-Geral de Nova York processou a JBS USA por publicidade enganosa relacionada a essa promessa, o que resultou em um acordo de US$ 1,1 milhão. Ficou claro que as promessas ambientais da JBS não possuem fundamentação real.  

Esforço global para responsabilizar a JBS 

A Proteção Animal Mundial integra a Coalizão Drop JBS, uma rede global de aliados que trabalha para restringir o acesso da companhia ao mercado de capitais dos EUA. O foco é impedir que o capital de investidores financie a expansão da pecuária industrial e seus impactos devastadores.  

A recente listagem da JBS na Bolsa de Valores de Nova York (NYSE) aumentou seu acesso ao capital global, mas também elevou o escrutínio sobre suas práticas. Nossas investigações revelam riscos que o mercado não pode ignorar:  

  • Barreira à Expansão: Em 2024, mobilizamos 20 organizações da sociedade civil nigeriana para se opor a um acordo do governo com a companhia que pretendia instalar a pecuária industrial em escala em mais um continente. 

A responsabilidade da JBS vai além do bem-estar animal. Por trás da narrativa pública de compromissos ousados sobre bem-estar animal, clima e desmatamento,  o padrão de greenwashing camufla uma série de crimes corporativos e sociais sistêmicos. 

Diversas investigações conectaram a cadeia de fornecimento da JBS ao desmatamento ilegal na Amazônia, mesmo após promessas públicas de encerrar essas práticas. 

A empresa também foi multada por violações de trabalho infantil nos EUA, fechou acordos em processos antitruste no valor de centenas de milhões de dólares e enfrentou crises de direitos trabalhistas em suas plantas de processamento de carne.  

Responsabilizar a JBS significa responsabilizar todo o sistema industrial de carne.

A JBS está lucrando às custas de todos. Ajude-nos a mudar isso 

A Proteção Animal Mundial atua na linha de frente para expor os prejuízos reais da JBS para os animais, para o planeta e para nosso futuro. Sua participação é fundamental para mantermos a pressão global.  

Cada doação financia investigações de campo para expor a crueldade nas fazendas e frigoríferos, campanhas de mobilização para alertar investidores e governos e advocacy internacional para exigir leis mais rígidas contra a pecuária industrial e o fim do sofrimento animal.  
 
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A imagem utilizada no ínicio deste conteúdo mostra gado confinado no centro-oeste brasileiro, na região onde a investigação foi conduzida.  A foto é de autoria de Fernando Martinho/Proteção Animal Mundial.

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